Jogos eletrônicos: um setor que decola na capital

Com a contribuição do Fundo de Apoio à Cultura, indústria dos games cresce no DF e faz com que novos estúdios e produtores independentes alcancem seu espaço

Por Rafael Secunho

O “empurrão” que a indústria de jogos eletrônicos precisava para ganhar espaço vem sendo dado pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Com o setor em franco crescimento no DF e demandado pelos gamers de plantão, os estúdios que desenvolvem esse tipo de software são também contemplados pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec). Este ano, são R$ 500 mil em recursos previstos em um dos editais do FAC para atender a quatro empresas do ramo.

“O mercado de games é atualmente um fenômeno no mundo inteiro. Em reunião recente com as associações, ficamos de planejar editais estratégicos voltados para a área”Carlos Alberto Silva Jr., secretário substituto da Secec

‌Um incentivo interessante, até mesmo porque criar um jogo digital não é tarefa fácil. Que o diga o game designer Philippe Lepletier, 38. Formado em publicidade e propaganda e com curso técnico em jogos digitais, ele montou sua produtora de games com a esposa, Juliana Bermudez. E colocou à venda recentemente o game Mandinga, disponível para quem curte jogar em computadores ou pilotar um joystick.

‌“O jogo digital hoje é uma mídia potente para passar informações, costumo dizer que é um cinema interativo. E a maioria são produções independentes que buscam seu espaço, se estruturar melhor”, conta Philippe. “Desta forma, um fomento como o do FAC é muito importante para a gente. Tenho uma equipe multidisciplinar de cinco pessoas que me ajudam a conceber um jogo.”

O game designer Philippe Lepletier recebeu R$ 50 mil em recursos do FAC para desenvolver o game ‘Mandinga’, que já foi comprado e jogado por cerca de 5 mil gamers | Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

‌Philippe recebeu recursos da ordem de R$ 50 mil do edital multicultural do FAC de 2021; hoje, Mandinga já foi comprado e jogado por cerca de 5 mil gamers, segundo ele. No desafio, dois homens negros em situação de escravidão se unem para fugir da fazenda e se abrigar em um quilombo em busca de melhores condições de vida. O cenário é a cidade de Salvador (BA),  e tudo se passa no período colonial brasileiro. “A narrativa do jogo remete à história, fala um pouco do contexto daquela época”, pontua ele.

“É importante que aqueles que estão começando a fazer jogos criem suas empresas e aprendam a geri-las. Temos material de muita qualidade aqui em Brasília e podemos manter a produção consistente”Alberto Miranda, presidente da Associação de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos do DF

‌Foi a partir de 2020 que o GDF começou a incluir o segmento de jogos nos editais do FAC diante de seu potencial na economia criativa. “O mercado de games é atualmente um fenômeno no mundo inteiro. Em reunião recente com as associações, ficamos de planejar editais estratégicos voltados para a área”, destacou o secretário substituto da Secec, Carlos Alberto Silva Jr. Ele lembrou, inclusive, que ferramentas usadas na medicina, na educação e outras já são criadas a partir do universo dos games.

‌Gestão profissional em um mercado promissor

O DF já teve jogo premiado nacionalmente e possui uma associação de desenvolvedores desse tipo de entretenimento. O game No Place for Bravery , nascido em estúdio brasiliense, foi agraciado como melhor game brasileiro na premiação do Big Festival, que reúne os melhores da América Latina. Já a comunidade dos produtores de jogos locais é colaborativa e representada pela Associação de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos do DF (Abring).

“É importante que aqueles que estão começando a fazer jogos criem suas empresas e aprendam a geri-las. Temos material de muita qualidade aqui em Brasília e podemos manter a produção consistente”, aponta o presidente da associação, Alberto Miranda. A Abring conta hoje com 37 associados, sendo 17 empresas efetivas e 20 profissionais independentes.

“O nosso setor vem crescendo, gerando emprego e renda, independentemente da pandemia. Os editais são um primeiro passo, e esperamos ter uma linha específica para jogos”, finaliza o diretor da associação nacional Abragames, Antony Vianna.

 

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