PMDF é pioneira no Brasil em método de resgate de vítimas de soterramento

Subtenente da corporação é o primeiro brasileiro a ser certificado no Método Arcón, que prioriza autonomia e concentração de cães no salvamento de pessoas soterradas

Por Catarina Loiola

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi a primeira corporação do Brasil a conquistar um certificado no Método Arcón – sistema de treinamento de cães para o salvamento humano. Há mais de uma década estudando as técnicas, o subtenente Ademar Barros concluiu o curso de formação neste mês, no Equador. Em breve, voltará ao país para repassar o conhecimento aos colegas do DF e de outras unidades da Federação.

Com experiência em adestramento desde 1995, o subtenente Barros (à direita) faz a PMDF ser a primeira corporação do Brasil a ter reconhecimento do Método Arcón, desenvolvido  pelo bombeiro espanhol Jaime Parejo (à esquerda)| Fotos: Arquivo pessoal

Barros trabalha com adestramento desde 1995. Em 25 anos de serviço no Batalhão de Policiamento com Cães (BPCães), já formou mais de 100 adestradores. Os profissionais fazem parte de corporações militares nacionais que envolvem bombeiros, Forças Armadas e Polícia Rodoviária Federal.

Em 2010, o subtenente participou de uma formação para condução de cães no Método Arcón, na Colômbia. Dois anos depois, esteve no Equador para estudar mais sobre o tema e retornou ao país neste ano, para a formação como instrutor. Com o certificado, Barros está apto a preparar novos cães e condutores utilizando a metodologia.

Metodologia estabelece que os cães devem trabalhar sozinhos nas buscas, para explorar ao máximo a capacidade olfativa e psíquica

Capacidade ampliada

“Para o Brasil, ter um instrutor certificado significa aumentar a capacidade de salvamento de vidas, da detecção de explosivos por cães e de restos humanos. Fui enviado para absorver o conhecimento e poder repassar a todos que procurarem o batalhão”, ressalta Barros. “É uma satisfação imensa levar a técnica para o Brasil. Agradeço demais à PMDF por acreditar em mim e proporcionar esta oportunidade de capacitação.”.

“São sete técnicas condutuais, em que o cão não tem apoio do adestrador – ele trabalha só, e com isso consegue desenvolver a própria estratégia de busca, blindado a despeito dos extratores visuais e odoríferos”Subtenente Ademar Barros

A metodologia estabelece que os cães devem trabalhar sozinhos nas buscas, para explorar ao máximo a capacidade olfativa e psíquica. Desta forma, são otimizados os níveis de motivação, concentração e autonomia. O sistema foi desenvolvido pelo bombeiro espanhol Jaime Parejo, em 1994, após 12 anos de estudo, e recebeu o nome do cão que o acompanhava nos resgates.

“São sete técnicas condutuais, em que o cão não tem apoio do adestrador – ele trabalha só, e com isso consegue desenvolver a própria estratégia de busca, blindado a despeito dos extratores visuais e odoríferos”, explica Barros.

O segundo-tenente Luiz Roberto Albuquerque, comandante do 4º Pelotão do BPCães, explica que o conhecimento pode ser aplicado em casos de desastres naturais ou decorrentes de ações humanas. Cita, como exemplo, as tragédias registradas em Brumadinho (Minas Gerais) e os terremotos que atingiram a Síria e a Turquia.

“Serve para salvar vidas em casos como esses, mas também pode ser aplicado na detecção de explosivos e narcóticos, tendo em vista que explora o olfato e capacidade psíquica do cão”, pontua Albuquerque. “A corporação está orgulhosa pela conquista do subtenente, e esperamos capacitar o maior número possível de profissionais.”

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