Epilepsia, uma doença que atinge 3 milhões de pessoas no Brasil

Conheça, no Dia Mundial de Conscientização, o fluxo de atendimento e a rede de assistência no DF para a enfermidade que provoca alterações transitórias no cérebro

A data 26 de março foi instituída em 2008, no calendário da saúde, como o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, uma doença que provoca alterações transitórias no funcionamento do cérebro. A enfermidade manifesta-se por meio de crises epilépticas recorrentes, caracterizadas por alterações motoras, sensitivas e de consciência.

A epilepsia acomete todas as idades mas, principalmente, crianças e idosos. Apenas no Brasil, estima-se que 3 milhões de pacientes sofrem com os sintomas. “Em boa parte das vezes a causa pode ser lesão estrutural, genética ou malformação. Entretanto, cerca de 30% seguem como causa desconhecida”, esclarece a neurologista e referência técnica distrital de Neurologia da Secretaria de Saúde, Adriana Barros.

A neurologista explica que a recorrência das crises epilépticas pode levar à morte de neurônios e consequente comprometimento da parte cognitiva. “Além dos riscos inerentes da crise generalizada, que é a convulsão, há riscos de traumas e infecções ”, complementa.

Rede de Assistência

Na maioria das vezes, as crises epiléticas são passageiras e terminam espontaneamente com duração menor que dois minutos. “Caso persistam por mais de cinco minutos, é necessário chamar uma ambulância e levar a pessoa a um hospital”, orienta a médica.

Se o usuário sofrer mais de duas crises epilépticas de curta duração, e sem causa definida, deve procurar a sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para avaliação pelo Médico de Família e Comunidade. O profissional solicitará exames iniciais, como laboratoriais, eletroencefalograma e ressonância de crânio. Os exames são disponibilizados no DF mediante sistema de regulação de consultas e exames.

Dados do InfoSaúde informam que, em 2021, a rede pública realizou, no nível secundário, 4.987 eletroencefalogramas. Em relação às ressonâncias cerebrais, o número foi de 4.831 exames no nível de alta complexidade, o maior índice dos últimos cinco anos.

A servidora explica que após atendimento na UBS, o paciente será encaminhado para um especialista em neurologia, pela Central de Regulação, no âmbito da Atenção Secundária, “O profissional fará o encaminhamento para um neurologista fechar o diagnóstico”, esclarece a médica.

O DF conta com 55 neurologistas nas regiões de saúde Norte, Sul, Leste, Oeste, Central e Sudoeste. Apenas em janeiro deste ano, foram realizados 5.113 atendimentos dessa especialidade na assistência pública secundária, a maioria no Hospital de Base do DF (HBDF). O hospital, bem como a Policlínica de Sobradinho, também atende, em seu Ambulatório de Neurologia, os casos de epilepsia de difícil controle.

Tratamento

Inicialmente são usados medicamentos e, em casos específicos, pode haver outras recomendações terapêuticas. No começo são utilizadas as drogas de primeira linha, que são as de primeira geração e que proporcionam controle efetivo em até 60% dos casos.

Nos 40% restantes, são usadas as de segunda e terceira linha. “Os fármacos de primeira geração estão disponíveis nas UBSs, enquanto os outros são encontrados nos componentes especializados de assistência farmacêutica”, finaliza a médica Adriana.

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