DF não registra casos de poliomielite, mas vacinação está em queda

Identificação da doença em Israel e no Malaui alerta para a importância da imunização completa das crianças menores de 5 anos

O Distrito Federal não registra casos de poliomielite desde 1987, mas o anúncio da identificação da doença em Israel e no Malaui serve de alerta para a importância da vacinação, que está em queda. Em 10 anos, entre 2011 e 2020, caiu de 95,9% para 82,3% o índice de crianças que receberam as três doses da vacina no primeiro ano de vida.

“Se as coberturas vacinais não forem adequadas, é sempre possível que novos casos surjam, uma vez que a doença ainda circula ativamente em alguns países do mundo, como Afeganistão e Paquistão”, ressalta a enfermeira da área técnica de imunização da Secretaria de Saúde, Fernanda Ledes.

A profissional reitera que a poliomielite é uma doença que está eliminada, não extinta, das Américas. Entretanto, isso só foi possível devido às altas coberturas vacinais. “A vacinação é a única forma de prevenção da poliomielite. Todas as crianças menores de cinco anos devem ser imunizadas, conforme esquema de vacinação de rotina. Temos doses em todas as salas de vacina de rotina”, completa.

Esquema vacinal

Desde 2016, o esquema vacinal contra a poliomielite passou a ser de três doses da vacina injetável (VIP), aos dois, quatro e seis meses. Mais duas doses de reforço, com a vacina oral bivalente (VOP), ministradas aos 15 meses e aos 4 anos. Os imunizantes também são disponibilizados para crianças até 4 anos, 11 meses e 29 dias ainda não vacinadas.

Saiba mais sobre a vacinação no DF: https://www.saude.df.gov.br/vacinadf/

Doença

A poliomielite, também chamada de paralisia infantil, ocorre com maior frequência em crianças menores de quatro anos, mas também pode acometer adultos. A enfermidade é causada pelo poliovírus. A contaminação ocorre pela boca e o vírus instala-se no intestino humano.

O período de incubação varia de dois a 30 dias e é, em geral, de sete a 12 dias. A maior parte das infecções pelo poliovírus apresenta poucos sintomas ou nenhum.

O diagnóstico de poliomielite dá-se somente na forma paralítica da doença, cerca de 1% dos casos. Em geral, a paralisia manifesta-se nos membros inferiores de forma assimétrica, ou seja, ocorre apenas em um dos membros. As principais características são a perda da força muscular e dos reflexos, com manutenção da sensibilidade no membro atingido.

“Não há tratamento específico para a poliomielite. Todos os casos devem ser hospitalizados e oferecido tratamento de suporte, de acordo com o quadro clínico do paciente”, informa Fernanda Ledes.

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