Psicólogos criam métodos para ajudar a recuperar pacientes de Covid-19

Profissionais do HB criaram fichas especiais que contribuem para melhorar a relação entre a equipe interdisciplinar

A pandemia tem estimulado a criatividade e a solidariedade dos profissionais de saúde para ajudar pacientes na luta contra o coronavírus. Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Covid-19 do Hospital de Base (HB), psicólogos criaram uma ficha técnica especial para identificar os pacientes. Batizada como “Para Me Conhecer”, a ficha não se limita a fornecer o nome, idade e o leito do doente. Ela também trás informações sobre quem é o enfermo.

Essas informações melhoram a relação entre pacientes e equipe médica, segundo a psicóloga Cibelle Antunes, idealizadora do projeto e coordenadora da Residência Multiprofissional em Terapia Intensiva do HB da Escola Superior de Ciências da Saúde e no cenário do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IGESDF).
A ficha humanizada é simples e prática. Ela fica suspensa à frente do leito do paciente, sendo afixada no teto com uma linha de nylon. Na ponta, um pregador de roupa prende a ficha à linha. “A ideia representa muito mais que um papel pendurado, mas sim amor no cuidado e no suporte durante o atendimento”, explica Cibelle.

A nova ficha personalizada começou a ser adotada UTI Covid-19 em março deste ano. “O objetivo é fazer com que o profissional de saúde conheça o paciente não apenas pelo nome, idade e número do leito, mas sim como uma pessoa especial e única”, explica a psicóloga. Ao mesmo tempo, segundo ela, a ficha também traz mais segurança para os internados durante a permanência na UTI. “Eles se sentem confiantes ao acordar e descobrir que os profissionais o conhecem além do superficial”, atesta Cibelle.

Essa teria sido a sensação experimentada pela professora Yasodhara Dias da Silva, de 70 anos. Internada com covid-19, “Zarinha” ela passou nove dias na UTI. A ficha dela continha uma declaração que definia bem: “O que me deixa feliz é ter formado em Pedagogia e poder alfabetizar meus alunos”.

Ao receber alta, “Zarinha” deixou o Hospital de Base conhecida pelos profissionais de saúde como a paciente vascaína, que ama ser professora, que adora camarão e que acalenta o sonho de comprar a casa própria e nela morar com a filha. Todas essas informações foram repassadas por telefone por Eglantine Dias da Silva, 63 anos, irmã de “Zarinha”.
“No dia que me ligaram para saber sobre ela, foi bem emocionante”, conta “Tininha”. “Entendi que para os profissionais de saúde minha irmã representava muito mais que uma paciente com covid-19, mas sim uma pessoa com sonhos e sentimentos”. Atualmente, “Zarinha” está curada da doença e se recupera das sequelas na Enfermaria do Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Encontro pelo celular

Outra medida adotada pela equipe de Psicologia do Hospital de Base foi usar o telefone celular para  prestar teleatendimento psicológico aos familiares sobre os pacientes internados nas UTIs. A psicologia também contribui construindo pontes entre equipe e família, facilitando o contato diário entre médicos e familiares, pelo boletins, a equipe ainda faz ligações de vídeos para que os internos conversem com seus parentes e amigos.
Os boletins e as vídeochamadas têm efeitos “milagrosos”. Pelo menos, foi assim para “Tininha”, que no dia 17 de abril conseguiu ver e falar com a irmã, que estava inconsciente, pelo celular. “Após essa ligação, os médicos contaram que a respiração dela começou a melhorar”, relembra.
Cinco dias após a terceira ligação de vídeo, a recuperação “Zarinha” foi ainda mais visível. “Ela finalmente abriu os olhos”, conta Tininha. A partir daí, a paciente foi melhorando até que, em 25 de abril, recebeu alta da UTI. “Não tem como não associar a melhora dela a partir do contato da família pelo celular”, defende “Tininha”. “A equipe médica que consegue possibilitar e estabelecer esses contatos é essencial”.

Ainda em recuperação, “Zarinha” não perdeu a oportunidade de agradecer à equipe médica tanto pela ficha personalizada quanto pelas vídeochamadas e pelo próprio atendimento que recebeu no Hospital de Base. “Eles colocam até música para a gente ouvir e nos dar força para ficar boa logo”, revela. “A paciência que essas pessoas tiveram em proporcionar esse contato com a minha família fez a diferença mesmo”.

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