Falta de teste de carga viral para prognóstico e tratamento de portadores do vírus HIV preocupa CRF-DF

Falta de medicamentos para portadores do vírus HIV e de reagentes para diagnóstico da doença são denunciados por ONG e Conselho Regional de Farmácia do DF  

Por Kleber Karpov

Organização não Governamental (ONG) Amigos da Vida – que atua no atendimento a pessoas com AIDS – denunciou, em matéria publicada por Radar DF (2/Ago), a falta de medicamento antirretroviral, nas unidades de Saúde do DF para pessoas portadoras do vírus HIV. Por outro lado, o Conselho Regional de Farmácia do DF (CRF-DF), alerta para outro problema, a indisponibilidade de reagente para a realização do teste de detecção da carga viral em portadores do vírus HIV.

De acordo com o presidente da ONG Amigos da Vida, Christiano Ramos, falta a medicação lamivudina, que compõe o coquetel de pacientes portadores de HIV em tratamento, nos principais centros de referência da capital federal.

Na avaliação da ONG, no DF, cerca de 70 das 12 mil pessoas portadoras do vírus HIV estão há dois meses sem receber o tratamento antirretroviral na rede pública de saúde.”, por falta de lamivudina. Embora a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) nege a falta o medicamento.

“É a primeira vez que vejo faltar coquetel no DF, isso é grave. É um remédio que não pode faltar, senão volta a ter a carga viral reativada e compromete a situação de saúde das pessoas.”, disse Ramos.

O CRF-DF, por sua vez demonstrou preocupação após receber notícia da falta de reagentes para a realização do teste de detecção da carga viral em portadores do vírus HIV nos estoques do Laboratório Central (LACEN) da SES-DF.

De acordo com a presidente do Conselho, Gilcilene Chaer, doutora em ciências médicas, o teste é fundamental para o seguimento e prognóstico que pode indicar o provável estágio futuro – dos portadores do vírus.

Gilcilene Chaer explica que, no prognóstico e acompanhamento dos pacientes, a carga viral ajuda a prever o quanto a doença está em evolução ou até quanto tempo o indivíduo vai continuar sem doença ativa. Quanto maior a carga viral, mais rápida é a progressão da doença.

“O exame é tão importante que prevê a facilidade de transmissão do vírus para outra pessoa, por exemplo, quanto maior a carga viral maior o risco de transmissão do HIV. A importância maior do teste é na gestão da terapia, o teste mostra se o medicamento está fazendo efeito, se está controlando a replicação do vírus. O tratamento está funcionando se os níveis de carga viral baixam em 90% pelo menos, caso contrário a medicação deve ser revista. É importante que a carga viral seja mensurada de 4 a 8 semana após o início do tratamento ou após a mudança do medicamento e deve ser monitorado a cada 6 meses depois que os pacientes chegam a níveis indetectáveis de carga viral. É realmente preocupante que o Brasil, que é referencia mundial no manejo da AIDS, e, também a capital de todos os brasileiros estejam passando por este problema”, finalizou a presidente do CRF/DF.

A outra parte

PD questionou a SES-DF sobre a falta de medicamentos que compõem o coquetel fornecido pelos Sistema Único de Saúde aos usuários portadores de HIV, e ainda, dos reagentes para realização de prognóstico da doença.

A SES-DF negou a falta de kits para Carga Viral na rede pública, mas afirmou que o estoque está baixo. “Há previsão da chegada de mais kits até o final do mês de agosto. Desde junho, por orientação do Ministério da Saúde, foram adotados critérios para priorização das amostras de forma a otimizar os testes disponíveis no estoque local até que seja restabelecido o estoque nacional.”.

De acordo com a pasta a solicitação de exames de carga viral foi priorizada “para gestantes infectadas pelo HIV e crianças de até 18 meses de idade para definição de diagnóstico.”. Ainda de acordo com a Secretaria, os “Pacientes em tratamento, clinicamente estáveis e com último exame de carga viral menor que 1000 cópias/mL, deverão aguardar a regularização dos estoques.”.

Com informações de Radar-DF e CRF-DF

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