3 a cada 4 profissionais de Enfermagem de SC sofreu violência no trabalho, indica pesquisa

Levantamento com profissionais de Enfermagem em SC mostra que 57,8% não se sentem seguros no trabalho

Por Kleber Karpov

Um levantamento realizado pelo Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren-SC) entre os dias 3 e 12 de agosto revelou que 74,8% dos profissionais da categoria no estado já sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho. A pesquisa, que ouviu mais de 2,2 mil trabalhadores de forma anônima, aponta ainda que 57,8% não se sentem seguros durante o exercício da profissão. Os dados foram coletados com o objetivo de subsidiar a criação de políticas de proteção e prevenção à violência.

Dentre os profissionais que relataram ter sido vítimas, a violência moral ou psicológica foi a mais prevalente, mencionada em 96,6% dos casos. A violência física foi apontada por 18,6% dos respondentes, enquanto a violência sexual foi citada por 7,3%. A pesquisa também registrou outras formas de agressão, como racismo, injúria racial e xenofobia, sendo que os participantes podiam indicar mais de um tipo.

Recorrência

Os dados também mostram que os ataques não costumam ser episódios isolados. Para 73,5% das vítimas, a violência ocorreu mais de uma vez, e 15,9% afirmaram sofrer agressões periodicamente. Apenas 10,6% dos profissionais relataram um único episódio de violência ao longo da carreira.

“Quando quase a totalidade dos profissionais que sofreram violência aponta situações de caráter moral ou psicológico, precisamos olhar com muita atenção para aquilo que muitas vezes não deixa uma marca física, mas afeta profundamente o trabalhador. Precisamos falar sobre essas violências e criar ambientes em que o profissional se sinta seguro para procurar ajuda e registrar o que aconteceu”, disse Maristela Azevedo, presidente do Coren-SC.

Responsabilização dos agressores

Para o Coren-SC, o combate à violência contra a Enfermagem exige uma abordagem multifacetada, que inclua a responsabilização dos agressores e avanços em segurança institucional. A entidade defende a criação de mais canais de atendimento aos trabalhadores, mecanismos de alerta, apoio psicológico e a melhoria geral das condições de trabalho.

A presidente do Conselho, Maristela Azevedo, destaca que fatores estruturais contribuem para um ambiente mais hostil. Dimensionamento inadequado de equipes, falta de insumos, infraestrutura defasada e sobrecarga profissional são apontados como elementos que aumentam a tensão em serviços de saúde, especialmente em unidades de emergência, UPAs e UTIs.

“Todos nós sabemos da angústia de quem procura um serviço de saúde em um momento de doença. Nosso trabalho é prestar uma assistência segura, qualificada e ética. Mas o profissional de Enfermagem também precisa se sentir seguro dentro da sua unidade de trabalho para exercer esse cuidado”, ressaltou a presidente.

Subnotificação

Um dos maiores desafios para a criação de políticas eficazes é a subnotificação dos casos. De acordo com o levantamento, apenas 36,7% dos profissionais que sofreram violência realizaram um registro formal da ocorrência. A ausência de denúncias dificulta a compreensão da real dimensão do problema e a implementação de medidas preventivas.

O Coren-SC orienta que as vítimas registrem boletim de ocorrência e utilizem os canais institucionais, como a Ouvidoria do conselho. Entre os mecanismos de defesa disponíveis está o desagravo público, que visa defender o profissional em situações ligadas ao exercício da profissão.

“É direito do profissional receber apoio e ter sua dignidade respeitada no ambiente de trabalho. Queremos manter esse contato cada vez mais próximo para que as pessoas procurem o Conselho e saibam que podem contar conosco. O Coren-SC continuará trabalhando para fortalecer a proteção e a valorização da Enfermagem”, concluiu Maristela.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

 

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