Por Pedro Rafael Vilela
Um mutirão nacional de saúde, envolvendo cerca de mil hospitais públicos e privados, realizou mais de 230 mil procedimentos neste fim de semana (21/Mar), em uma ação voltada prioritariamente ao público feminino. A iniciativa, que ocorreu em todo o Brasil, faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do governo federal, e teve como objetivo principal a redução das filas de espera por exames, consultas e cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante uma visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB) no sábado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou a mobilização como um marco. “Estamos fazendo maior mutirão da história do SUS, dedicado exclusivamente à saúde da mulher”, destacou. A unidade de Brasília, ligada à rede Ebserh, tinha a previsão de realizar 800 atendimentos durante o evento.
A gama de serviços oferecidos foi ampla, incluindo exames de diagnóstico como tomografias, ressonâncias magnéticas e ultrassonografias. Também foram agendadas cirurgias ginecológicas, como histerectomia e reconstrução mamária, além de procedimentos gerais, como tratamento de catarata e varizes. A regulação das pacientes ficou a cargo das secretarias estaduais e municipais de saúde.
“As mulheres têm uma oportunidade de serem chamadas pela secretaria estadual ou pela secretaria municipal de saúde, aqueles que estão esperando pra fazer uma cirurgia para fazer um exame e que precisa estar dentro do hospital para fazer o procedimento. São aquelas que já estavam aguardando na fila”, explicou o ministro.
A estratégia do programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025, baseia-se em incentivos como o aumento nos valores da tabela de pagamentos do SUS e a troca de dívidas tributárias de hospitais privados por atendimentos. Segundo Padilha, essa política resultou em um recorde de 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025, um aumento de 40% em relação a 2022.
Fim da espera para pacientes
Entre as ações de prevenção, o mutirão realizou o implante de 3,8 mil unidades do Implanon, um método contraceptivo subdérmico de longa duração. O dispositivo, que pode custar até R$ 3 mil na rede privada, é oferecido gratuitamente pelo SUS. “É uma demonstração de que no mês de março, o mês da mulher, elas não têm que ganhar somente presentes não, têm que ganhar dignidade”, afirmou Padilha.
Para muitas pacientes, a mobilização representou o fim de uma longa espera. A empregada doméstica Roseane Cunha, de 41 anos, aguardava há quatro anos por um aparelho auditivo. “Hoje estou muito feliz, porque recebi meu aparelho e estou podendo ouvir melhor, o que é muito gratificante”, relatou após ser atendida no HUB. Ela também foi encaminhada para uma cirurgia.
No setor de oftalmologia, a roupeira Cristina Pereira Gonçalves, de 42 anos, realizou exames e já saiu com óculos novos e um encaminhamento para cirurgia de pterígio. “Fiz vários exames, em várias etapas, nem em clínica tinha feito um tratamento mais aprofundado”, elogiou a trabalhadora.
O gerente de Atenção à Saúde do HUB, Rodolfo Lira, ressaltou o impacto da iniciativa para o fortalecimento do sistema público de saúde. Segundo ele, o dia de mobilização amplia o acesso da população a atendimentos qualificados e resolutivos.
“Trata-se de uma iniciativa que fortalece o SUS ao concentrar esforços, integrar equipes multiprofissionais e otimizar a capacidade instalada dos hospitais universitários em benefício direto da população”, disse o gestor.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










