Por Kleber Karpov
O Ministério da Saúde iniciou, na quinta-feira (05/Mar), a distribuição de um novo tratamento contra a malária para crianças no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa pioneira no mundo utiliza a tafenoquina em formulação pediátrica (50 mg) para tratar a malária do tipo vivax. O medicamento, administrado em dose única, é destinado a crianças com peso entre 10 kg e 35 kg, que não estejam grávidas ou em período de amamentação, visando aumentar a adesão ao tratamento em um grupo que representa cerca de 50% dos casos da doença no país.
Vantagens da nova formulação
Até o momento, a tafenoquina era disponibilizada no SUS apenas para pacientes com 16 anos ou mais. O tratamento anterior para o público infantil exigia a administração de medicamentos por um período de até 14 dias, o que frequentemente resultava em baixa adesão e dificultava a cura completa. A nova abordagem simplifica drasticamente o processo.
A nova apresentação do fármaco se mostra eficaz na redução de recaídas e na interrupção da transmissão da doença. Segundo o Ministério da Saúde, a dose única oferece uma solução mais prática para as famílias e profissionais de saúde, promovendo maior conforto e garantindo a eliminação do parasita.
“A nova apresentação do fármaco será administrada em dose única, o que proporciona mais conforto e praticidade para as famílias e profissionais de saúde, maior adesão à terapia, eliminação completa do parasita e a prevenção de recaídas”, informou o Ministério da Saúde.
A pasta também destacou que o medicamento “contribui para a interrupção da transmissão da doença, possibilita o ajuste da dose conforme o peso da criança, garantindo maior eficácia do tratamento”.
Distribuição focada na Amazônia
A entrega do medicamento ocorrerá de forma gradual, com prioridade para a região Amazônica, que concentra 99% dos casos de malária do Brasil. O governo investiu R$ 970 mil na aquisição inicial e já recebeu 64.800 doses de um total de 126.120 comprimidos que serão distribuídos nacionalmente.
As primeiras doses foram destinadas a áreas de alta incidência, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes. Estes territórios concentram aproximadamente metade dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos. O DSEI Yanomami foi o primeiro a ser contemplado, recebendo 14.550 comprimidos.
“A malária é um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, especialmente em áreas de difícil acesso e territórios indígenas, onde fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade à doença”, reconhece o ministério.
Panorama e resultados do combate à doença
As ações de combate à malária têm apresentado resultados significativos. Somente no território Yanomami, entre 2023 e 2025, houve um aumento de 103,7% na realização de testes e de 116,6% no número de diagnósticos, acompanhado por uma redução de 70% nos óbitos pela doença.
Em âmbito nacional, o ano de 2025 registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com 120.659 notificações, uma queda de 15% em relação a 2024. Nas áreas indígenas de todo o país, a redução foi de 16% no mesmo período. O Ministério da Saúde informou que continua intensificando o monitoramento, o controle vetorial e a disponibilização de testes rápidos para combater a doença.












