Mais de 30 mil torcedores levantam “cartão vermelho” ao racismo no Mané Garrincha

Campanha inédita lançada pela Secretaria de Justiça e Cidadania, em parceria com a CBF, neste domingo (4), une futebol, governo e sociedade para promover uma nova cultura de combate à discriminação racial dentro e fora dos estádios

A Arena BRB Mané Garrincha foi palco de um momento marcante neste domingo (4), minutos antes da partida entre Vasco e Palmeiras, válida pela 7ª rodada do Campeonato Brasileiro. Mais de 40 mil torcedores ergueram simultaneamente cartões vermelhos contra o racismo, em um gesto simbólico que marcou o lançamento da campanha “Cartão Vermelho para o Racismo”, idealizada pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Marcela Passamani, secretária de Justiça e Cidadania do DF – Foto: Jhonatan Vieira/Sejus

Idealizadora da campanha, a secretária de Justiça e Cidadania do DF, Marcela Passamani, destacou a importância de usar o futebol como espaço de conscientização e transformação social. “Essa campanha nasce de uma preocupação urgente: combater o racismo, que é uma emergência dentro da nossa sociedade. O lançamento simboliza a força de uma sociedade que não aceita mais o silêncio diante do preconceito. Ver milhares de torcedores, crianças, famílias inteiras unidas por essa causa foi emocionante”, afirmou.

Com o lema “Não é só falta grave, é cartão vermelho para o racismo”, a ação deu o pontapé inicial na construção de um modelo distrital de enfrentamento ao racismo no futebol, que poderá ser ampliado para todo o país nos próximos meses, em articulação com a CBF.

O destaque da ação foi o minuto de protesto realizado antes do apito inicial, quando torcedores, jogadores e a equipe de arbitragem levantaram, juntos, os cartões vermelhos em um gesto coletivo de repúdio à discriminação racial. Os cartões foram distribuídos nas entradas do estádio e reforçaram a mensagem de que o racismo não tem vez nos gramados — nem fora deles.

Entre os participantes estava a torcedora vascaína Sueny Almeida de Medeiros, 44 anos, moradora de Taguatinga, que elogiou a iniciativa. “Achei muito interessante. É importante estar sempre atento a esse problema social e reforçar o combate ao racismo em todos os espaços, especialmente no futebol, que tem tanto alcance.”

De Goianésia, família palmeirense participa da ação contra atos de racismo – Foto: Jhonatan Vieira/Sejus

Também presente na arquibancada, o palmeirense Renan Lopes Oliveira, que veio de Goianésia (GO) acompanhado do filho para prestigiar seu time, parabenizou a ação. “Essa campanha mostra que a luta contra o racismo é de todos. Não importa o time, a cor da camisa ou da pele. Isso aqui foi um golaço da cidadania e reforça a necessidade de respeito e união”, afirmou.

A cerimônia contou com a participação de autoridades, atletas e representantes das duas equipes. Os jogadores de Vasco e Palmeiras entraram em campo segurando uma faixa com a mensagem da campanha, reforçando o compromisso do futebol brasileiro com o combate ao preconceito racial.

O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, também destacou o papel da entidade na causa. “Apoiar essa campanha está em sintonia com o compromisso da nossa gestão. O combate ao racismo é uma bandeira que traduzimos em ações concretas. Esse é um trabalho contínuo, necessário e inegociável.”

A campanha reforça ainda o compromisso com a Lei Vinícius Júnior, já promulgada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), que estabelece diretrizes inéditas no país para a promoção de ambientes esportivos mais justos e inclusivos. A Sejus é responsável por sua regulamentação e pela articulação com outros estados interessados no modelo.

Nos próximos meses, a parceria entre Sejus e CBF será ampliada com cursos de letramento racial e ações educativas com clubes, buscando consolidar um ambiente esportivo mais inclusivo e seguro.

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