26 mulheres passam por cirurgia de reconstrução de mamas, graças à doação de servidores da Saúde

Em dia do servidor público, servidores da saúde, voluntariamente, ajudam Rollemberg na campanha Outubro Rosa, no Hospital Regional de Taguatinga

Por Kleber Karpov

Enquanto o GDF ganha uma forcinha de parte da mídia do DF que ‘demoniza’ a imagem do funcionalismo público do DF, um grupo de servidores da Saúde, respondem a hostilidade com doação de tempo, para ajudar o próprio governo. Isso foi o que aconteceu no Hospital Regional de Taguatinga (HRT)(27/Out), onde um grupo de profissionais de saúde participou, voluntariamente, de procedimentos cirúrgicos de reconstrução de mama de 26 mulheres.

Os servidores públicos da Saúde, Educação e  Administração Direta, alguns em estado de greve, outros já com os braços cruzados, cobram do governo o pagamento das incorporações de gratificações, o que abrange cerca de 160 mil profissionais desses segmentos. Os valores deveriam ser pagos em setembro de 2014, porém, o governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), à época, anunciou o adiamento para outubro de 2015.

Após descumprir a promessa, sob argumento de não ter conseguido arrecadar mais que a previsão orçamentária estipulado na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016, aprovada na Câmara Legislativa do DF (CLDF), em 2015, Rollemberg (PSB), optou por tentar ‘amordaçar’ os servidores.

Sucessão de erros

A primeira atitude equivocada, ao perceber que não haveria recursos para honrar os compromissos firmados com os servidores, foi deixar de dialogar com os representantes das entidades sindicais. No entanto, ao longo dos últimos meses, a postura do governo foi produzir dossiê, e mais recentemente, assinar o ‘decreto da mordaça’, com promessa de ser severo em relação aos servidores que participassem das greves.

Rollemberg cometeu outros erros. Entre eles, fazer com que as entidades sindicais apenas soubessem, pela imprensa, tanto que não pagaria as dívidas dos servidores, em relação às incorporações das gratificações e, posteriormente, que não tem recursos para pagar os salários de novembro.

A postura de o GDF, por meio da imprensa, tentar transferir a responsabilidade ao funcionalismo público, pelo caos, falta de gestão e estagnação do Distrito Federal, também acirrou os ânimos dos servidores.

Afinal, o próprio governo também se contradiz, ao argumentar que as dificuldades por parte do GDF se deve, além do suposto rombo de R$ 4 bilhões, a frustração de receitas, provenientes do recursos esperados do governo federal e ainda da arrecadação de impostos.

Ao governo ainda imputa outro problema grave, entidades sindicais, começam a recorrer aos veículos de imprensa para pedir direito de resposta ou divulgam em seus meios de comunicação o que chamam de “tentativa de enganar a população para colocar a opinião pública contra os servidores públicos”, ao divulgar números que consideram “falsos” à imprensa.

Nesse contexto, os sindicatos dos Professores do DF (SINPRO-DF) e dos Enfermeiros do DF (SEDF), se manifestam nesse sentido. Outras entidades sindicais apontam ainda a suposta tentativa de o governo tentar imputar aos servidores possíveis sabotagens, a exemplo, do sumiço do banco de dados do Forponto, sistema utilizado pela Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), para controlar a folha de ponto dos servidores.

Com luva de pelica

Com tantas hostilidades por parte do governo em relação ao funcionalismo público, a iniciativa do grupo de servidores da Saúde representa um ‘tapa na cara’ do GDF, com ‘luva de pelica’. Isso porque, além e atender a população, o próprio governo se beneficia na campanha ‘Outubro Rosa’, que muitos passaram a chamar de ‘Outubro Negro’. Mesmo os profissionais representados pelos Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF), em greve, se sensibilizaram com o caso das 26 pacientes e participaram das cirurgias.

Por esse prisma, vale observar que na rede, além de servidores, faltam mamógrafos, filmes de Raio X, reagentes, medicamentos, roupas, e o pior, bom senso por parte dos gestores.

Em tempo

Na sexta-feira (28/out), foi comemorado o Dia do Servidor Público, e curiosamente, a exatamente um ano, os servidores da Saúde, mais especificamente, os auxiliares e técnicos em enfermagem da SES-DF, comemoraram, não a data em questão, mas a manutenção da greve, em frente a CLDF.

Saúde!

Parabéns aos servidores públicos do DF. Que 2016, em vez de levantar faixa de greve, que possam, em um ambiente mais apropriado, levantar uma taça de champagne.

Atualização: 30/10/20016 às 0h04

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