Servidores denunciam empréstimos ‘atípicos’ de insumos do HBDF para hospital particular

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Mantido com recursos públicos, servidores da SES-DF, questionam socorro do IGESDF à rede privada

Por Kleber Karpov

Na última semana, Política Distrital (PD) recebeu denúncias da realização de empréstimos de insumos do Hospital de Base do DF (HBDF), gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IGESDF), para o Hospital Santa Luzia (HSL). Para servidores da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), acusaram a estranheza de o HBDF, mantido com recursos públicos, socorrer unidade de saúde particular.

O denunciante, identificado por servidor A, sob sigilo de identidade, aponta que tais empréstimos foram autorizados por parte da enfermeira, Fabíola Ribeiro de Queiroz Oliveira, chefe do Núcleo de Material, responsável pela supervisão da Central de Material e Esterilização (CME) do HBDF.

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“Sou do IHB tenho visto a supervisora do meu setor emprestando material usado para esterilizar materiais para o hospital Santa Luzia. Não estou lá todos os dias, então não sei se esse material que vai para o Santa Luzia retorna. Acho que não é certo pois o instituto e gerido com dinheiro público já o outro e privado. Será que isso e correto?”, questionou.

Em 12 de março, servidor A, apontou ao PD, a tentativa de retirada de insumos do HBDF, frustrada pela segurança do hospital. Porém, segundo a pessoa denunciante, tais práticas são recorrentes na unidade de saúde.

“Isso sempre acontece, mas como era fim de semana então ela pediu que uma funcionaria do SL fosse buscar Estes materiais só que a mesma não conseguiu sair na portaria com os mesmos pois precisavam de autorização. Então ela pediu que uma enfermeira do CC assinasse a autorização. Como a funcionaria do SL [Santa Luzia] já havia tentado sair três vezes foi embora e deixou o material no setor.”, disse.

Além das fotos, chama atenção uma Autorização de Entrada e Saída de Materiais, encaminhada ao PD, que identifica o empréstimo de insumos ao HSL. O documento, aponta a supervisora do CME, como responsável pela cessão ao hospital da rede particular.

 

Um servidor B da SES-DF, também sob sigilo de identidade, em outra denúncia (15/Mar), confirma tais denúncias. “Ocorre sempre no CME. Porém, a chefe de setor trabalha ou trabalhava no Base e no Santa Luzia. Ela leva material direto pra lá. Muitas vezes sem requisição  de empréstimo.”.

Servidor B aponta ainda, uma remessa, ‘preparada’, para empréstimo ao Santa Luzia. “Foi preparado 20 curativos para chefe, na sexta [15/Mar]. Foi colocado o nome dela, porém a sala estava fechada e acabaram esquecendo este. Tudo isso vai pra fora do hospital.”, e vai além. “Foi liberado uma bandeja de laparotomia para o hospital Santa Luzia, passou pela portaria central. Porém não tem registro”, disse.

Material para empréstimo ao HSL – Foto: cedida do PD

Falta de insumos

Embora com uma vasta variedade de itens hospitalares, o caso ocorre, no momento em que o IGESDF registra a falta, por exemplo, de insumos para a realização de testes rápidos e vacinas de alergia.

Anúncio de falta de testes rápidos e vacinas de alergia no IHBDF

O que dizem as partes?

A partir do documento de Entrada e Saída de Materiais, PD conseguiu conversar com a supervisora do CME do HBDF. Fabíola Ribeiro, por sua vez direcionou possíveis explicações ao Gerente de Insumos de Logística do IGESDF, André Luis Machado Ghiorzi. Contatado, o gestor, por sua vez, informou ser “normal tanto emprestar quanto pedir emprestado material, isso acontece com frequência.”, e atribuiu tal empréstimo, a aumento de demanda de um hospital.

“Eventualmente um determinado hospital passou por um súbito aumento da demanda de um determinado item, ou um item é de utilização eventual e não estava estocado, ou um atraso na entrega por parte de um fornecedor. Diversas situações podem levar a essa necessidade. Acima de tudo está a nossa buscar por atender as pessoas com carinho e responsabilidade.”, disse.

Questionado sobre o fato de se tratar de um hospital privado, Ghiorzi explicou ser atípico, mas além de realizar empréstimo, eventualmente, o HBDF também, pega itens emprestado da rede privada.

“Sim, é bem menos frequente, mas também acontece. Ontem mesmo pedimos emprestado itens de alto custo para mais de um hospital privado. Hospitais privados, hospitais da rede da SES-DF, hospitais federais, militares, etc.”, concluiu.

A SES-DF, por sua vez, ao ser questionada sobre o assunto, em 16 de março, deu a entender, ser menos tolerante com tal prática. “O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF) informa que, apesar de não ter recebido denuncia formal, já foi aberta investigação para apuração dos fatos.”.

PD tentou contato com o Hospital Santa Luzia, porém, sem sucesso por telefone. A área de recursos humanos do HSL, por sua vez, retornou questionamento realizado por meio do site, mas a Ouvidoria da unidade de saúde, apenas orientou, na tarde de sexta-feira (22/mar), que “entre em contato diretamente com a Unidade Santa Luzia, através do telefone PABX (61) 3445-6000.”, ocasião em que deu baixa ao chamado número OUV253732.

Uma das apurações junto ao HSL era para se constatar, quando Fabíola Ribeiro, deixou de pertencer aos quadros do hospital, uma vez que um dos servidores denunciantes, expôs tal vínculo empregatício, mas sem precisar se a gestora do IGESDF ainda permanecia nos quadros do da unidade de saúde particular.

Embora a própria gestora, tenha negado pertencer aos quadros do HSL, uma vez que tem carga horária de 44 horas semanais no IGESDF, denúncia publicado pelo portal Rádio Corredor, no final de fevereiro, à época, apontava tal vínculo.