Por Kleber Karpov
Duas servidoras públicas do Hospital Regional do Gama (HRG) acionaram o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), na sexta-feira (09/Out), para denunciar práticas de assédio moral continuado e dano ao erário atribuídas ao superintendente da Região de Saúde Sul, o médico, formado em dezembro de 2025, Gabriel Pimentel da Silva, nomeadoa ao cargo em julho desse ano. Os depoimentos gravados na própria sede do órgão de controle chamaram a atenção de PDNews devido à gravidade dos relatos, que envolvem apadrinhamento político ligado à cúpula do Palácio do Buriti e risco direto à assistência médica da população do DF. As declarações em vídeo chegaram à reportagem por intermédio de link oficial do MPDFT, em que PDNews realizou a supressão dos números de CPF das declarantes em cumprimento a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
As servidoras relatam casos, a exemplo do aumento de óbitos na unidade de saúde, ordens expressas, abribuídas a Silva, de “dar baixa em uma ficha de atendimento que está na aba do pronto-socorro, sem o paciente ser atendido, para lá no painel da secretaria ninguém ver que tem paciente esperando atendimento sem médico para atender”. Tão grave quanto, a denúncia de “banderar a ortopedia que não se bandera conforme a portaria vigente [Portaria nº 386, DE 27 DE JULHO 2017, que organiza o componente Hospitalar da Rede de Atenção às Urgências no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) do Distrito Federal] e não atender nenhum paciente que não fosse vermelho, onde a grande gama de atendimento da ortopedia é o paciente verde, azul e amarelo, a gente tem pouco laranja e pouco vermelho dentro da ortopedia.”.
Desmonte da regulação e bloqueio de tomografias
A gerente interna de regulação do HRG, Verônica Prado Miranda, por sua vez, relatou desmandos administrativos e ordens para dar baixa em fichas de pacientes sem atendimento médico, com o objetivo de maquiar indicadores nos painéis da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). A servidora detalhou bloqueios no agendamento de tomografias para pacientes internados em estado grave.
“No Hospital Regional do Gama a gente ficou do dia 1 ao dia 9 sem poder marcar tomografia do paciente internado, porque eles cismaram que o que a gente fazia era irregular, mandaram um documento falando que não iriam liberar as agendas do mês de setembro porque queriam entender quem é que tinha liberado o acesso a essas tomografias, por que que o paciente internado tinha prioridade. Aí nós tivemos que ir lá resgatar os documentos, desde 2002, bolinha do complexo regulador provando que cada hospital ele libera uma quantidade de vagas para o serviço ambulatorial, mas dentro daquele escopo ele tem uma quantidade de vagas para atender o paciente internado, porque eu não posso pegar o paciente internado e colocar ele numa fila de paciente ambulatorial, ele está internado ele pode morrer”, disse Verônica.
Restrição na ortopedia e déficit na maternidade
A gestora destacou que o HRG responde por 40% dos atendimentos ortopédicos de todo o Distrito Federal, mas sofreu determinações arbitrárias para restringir o acolhimento apenas a casos com classificação vermelha. Ela apontou ainda desfalque crítico de mais de 37 médicos na ginecologia e obstetrícia, setor que realiza cerca de 600 partos por mês com escalas incompletas.
“A nossa escala é fechada todo dia com dois médicos onde devia ter quatro, tem dois. Eu tenho uma maternidade que tem 45 leitos e uma ginecologia que tem 15. Eu passo a semana inteira com esses leitos lotados, 60. Entra uma, sai outra, entra uma, sai outra, conforme o tempo para alta dessas pacientes. Ninguém vê ninguém correndo atrás de médicos para recompor o quadro”, disse Verônica.
Ameaças de exoneração e suspeita de desmonte
A gerente de cirurgias eletivas da unidade, Luzia Lima Pereira da Silva, confirmou o ambiente de perseguição instaurado desde julho de 2026 pela gestão de Gabriel Pimentel da Silva. A servidora declarou que o gestor busca desqualificar o corpo técnico com acusações infundadas de incompetência, além de ventilar o encerramento de especialidades.
“Desde o mês de julho, quando nós recebemos o nosso superintendente, doutor Gabriel Pimentel, que a equipe inteira vem sofrendo assédio, são ameaças de substituições, de exonerações que a gente sabe que é meramente política, momentos que ele deixou entender que ele pode fechar serviços, encerrar serviços, que nos leva a crer pelo comportamento que o objetivo é privatizar, mostrar que a SES não pode manter esse serviço e com isso trazer a privatização. É esse o sentimento que a gente tem diante dos acontecimentos”, disse Luzia Lima.
Descontrole de horas extras e representação criminal
As denúncias indicam gastos irregulares com Trabalho em Período Determinado (TPD), modalidade autorizada sem planejamento financeiro em setores administrativos, com despesas que ultrapassaram R$ 1 milhão frente ao teto regional de R$ 700 mil. As profissionais afirmaram que o quadro culminou na entrega coletiva de cargos e em representações perante a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), com apelo para que a governadora Celina Leão intervenha na condução da saúde local.
Nomeado em meio a investigações
O caso chama atenção sob diversos aspectos, um desses a atuação por parte da madrinha, ou pseudo-mandatária do HRG, que será abordado por PDNews, em outra reportagem na sequência dessa, sobre o caso. Outro fator que chama atenção é que o supervisor é médico recém-formado, envolvido em diversas denúncias, inclusive relativo à próprio processo de graduação.
Caso esse, em que o próprio secretário de Estado de Saúde do DF, Juracy Cavalcante Lacerda Junior, submeteu à Controladoria-Geral do DF (CGDF), pedido de Tomada de Contas Especial, contra o servidor em 19 de maio de 2026, e chegou a ser acionado pelo MPDFT, em 7 de abril, a requerer mais informações sobre a Procedimento de Invetigação Criminal. Porém, mesmo com tais B.Os. Silva foi nomeado em 26 de junho de 2026, Superintendente da Região Sul.

O que dizem as partes
PDNews deve produzir nova reportagem sequencial, sobre o caso concreto, mas no que tante as informações desta, PDNews acionou o MPDFT, embora com abordagem equivocada ao requerer informações sobre a instauração de Procedimento de Investigação Criminal. Mas, por meio da Assessoria de Comunicação (Ascom), o órgão de Controle confirmou o requerimento de informações à SES-DF, sobre a Tomada de Contas Especial contra Pimentel.
“Acredito que há uma mal-entendido sobre a natureza do ofício. Em 7 de abril, o MPDFT requereu da SES acesso aos documentos mencionados, que têm relação com um procedimento de investigação já aberto, sobre o qual, no momento, não é possível fornecer mais informações. Quanto às perguntas sobre atendimentos no HRG, elas devem ser direcionadas às SES.”.
A SES-DF também foi acionada, inicialmente, diretamente o secretário de Saúde, que informou ter direcionado a demanda à chefia da Ascom. Porém, até o momento da publicação da reportagem, a Pasta não encaminhou nenhum parecere sobre o caso.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;














