Por Kleber Karpov
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou o bom momento econômico do país, nesta quinta-feira (26/Mar), durante visita à unidade industrial da montadora Caoa em Anápolis (GO). No evento, que marcou a reinauguração da planta fabril e o lançamento da linha de produção do modelo Uni-T, em parceria com a empresa chinesa Changan, Lula anunciou que o governo federal trabalha em um plano para aliviar o endividamento dos brasileiros e para conter os impactos do conflito no Oriente Médio na economia interna.
Lula destacou os investimentos previstos para o setor automotivo, que devem alcançar R$ 190 bilhões até 2033, sendo R$ 140 bilhões das montadoras e R$ 50 bilhões do setor de autopeças. “Não tem coisa mais gratificante para um país do que a economia poder oferecer ao povo a possibilidade de crescimento, a possibilidade de geração de empregos, e a possibilidade das pessoas viverem com mais dignidade e de cabeça erguida”, afirmou o presidente.
Plano para endividados
Durante conversa com colaboradores e executivos, o presidente abordou a situação financeira da população e instruiu o Ministério da Fazenda a buscar soluções para o endividamento. Ele manifestou a intenção de criar mecanismos que facilitem o pagamento de dívidas e reduzam a “angústia da sociedade”.
“A economia está bem, mas nós temos a sociedade brasileira um pouco endividada. Eu pedi ao meu ministro da Fazenda (Dario Durigan, presente à visita) que a gente precisa tentar resolver esse problema da dívida das pessoas. Queremos ver como a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que vocês devem. Nós estamos tentando encontrar uma saída para ver se a gente diminui a angústia da sociedade, melhorar esse endividamento e conseguir fazer com que as pessoas se sintam aliviadas”, disse Luiz Inácio Lula da Silva.
Críticas ao impacto de guerras
O presidente também se posicionou firmemente contra a repercussão de conflitos internacionais nos preços de produtos básicos no Brasil. “Nós não vamos deixar a irresponsabilidade da guerra do Irã chegar no preço da alface, da cebola e do feijão que o povo brasileiro come. Não é possível. O Irã está a 15 mil quilômetros de distância do Brasil. Por que tem que fazer guerra lá e sobrar para nós aqui?”, frisou.
Parceria com Changan
O evento em Anápolis celebrou a reinauguração da planta fabril da Caoa e o lançamento da linha de produção do Uni-T, primeiro modelo da marca Changan totalmente produzido no Brasil. A iniciativa consolida um novo ciclo de investimentos de R$ 5 bilhões, que se soma a um programa de R$ 3 bilhões iniciado em 2023, totalizando um aporte de R$ 8 bilhões no projeto. A montadora emprega mais de 21 mil pessoas direta e indiretamente.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou a semana como marcante para a indústria nacional. Ele citou o lançamento do caça Gripen e de uma nova fábrica de trens. “Hoje, aqui na Caoa, temos essa grande parceria para produzir veículos flex e depois veículos também elétricos. A Nova Indústria Brasil estabeleceu inovação”, celebrou Alckmin.
Inovação e protagonismo na indústria nacional
Presente no evento, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o país busca aumentar a produtividade e a eficiência. “A missão do Ministério da Fazenda é fazer com que a nossa economia seja forte no contexto de uma democracia justa para todos. Não de um país que olhe só para a sua elite ou que olhe só para poucas pessoas. Um país soberano, que tenha uma democracia com muita justiça social”, declarou.
O co-presidente executivo da Caoa, Carlos Phillipe Luchesi de Oliveira Andrade, descreveu o lançamento como um marco. “Apresentamos ao Brasil o primeiro automóvel fabricado pela Caoa Changan em solo brasileiro. Não se trata apenas de um veículo. Trata-se de um marco. Um automóvel com tecnologia global produzido no Brasil por mãos brasileiras e desenvolvido para o Brasil”, destacou.
“Esse veículo nasce com uma característica fundamental para o Brasil: ele é flex. Isso significa mais eficiência, mais competitividade e total aderência à nossa matriz energética. É a combinação entre tecnologia global e inteligência brasileira”, complementou Andrade.
Visão de longo prazo da montadora chinesa
O presidente do Conselho da Changan, Zhu Huarong, ressaltou o compromisso da empresa com o mercado brasileiro, impulsionado pelo plano Nova Indústria Brasil. “Para a Changan, o Brasil não é apenas um lugar para investir, mas uma terra onde estamos comprometidos em construir um futuro de longo prazo. Estamos comprometidos em investir no Brasil, expandir nossa presença aqui e atender o mercado mais amplo da América Latina. O início da produção aqui marca um passo importante para transformar nossa estratégia em realidade”, ressaltou.
Adaptado às condições brasileiras
O modelo Uni-T passou por um extenso processo de adaptação para o mercado nacional. O desenvolvimento, que durou 24 meses, envolveu mais de 200 engenheiros brasileiros e chineses. O programa de validação incluiu 30 protótipos que rodaram mais de dois milhões de quilômetros em testes por diferentes regiões do país, enfrentando variações de pavimentação e clima.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











