Por Kleber Karpov
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), assegurou nesta segunda-feira (31/Ago) que o Banco de Brasília (BRB) não vai à falência, ao atribuir as dificuldades atuais para a obtenção de um empréstimo a uma “queda de braço” de natureza eleitoral com o governo federal. Durante entrevista à Rádio Metrópoles, a chefe do Buriti, candidata a reeleição, detalhou as medidas de reestruturação em curso, além de afirmar que o Banco Central tem pleno conhecimento do plano de recuperação da instituição financeira, para resgatar o papel de banco de fomento regional.
Reestruturação interna e impasse político
Questionada, Celina Leão lembrou ter tomado medidas enérgicas na gestão do banco, ao promover uma reestruturação completa nos quadros da instituição. “Eu tive que tomar muitas medidas sobre o BRB. Eu troquei todas as diretórias, troquei toda a diretoria, troquei toda a parte financeira, de gestão financeira”, declarou a governadora.
A chefe do Executivo local também indicou o cenário eleitoral como o principal obstáculo para a liberação de um empréstimo essencial para o banco. Segundo Celina Leão, há uma resistência por parte de ministérios do governo federal, a travar as negociações. “Vai sair o empréstimo. Você sabe o que está dificultando? A eleição. Existe uma queda de braço nisso”, afirmou.
Leão relatou uma ausência de diálogo por parte das autoridades federais, afirmando não ter sido convidada para nenhuma reunião ministerial sobre o tema, mesmo após solicitar formalmente um encontro. “Sabe quantas vezes que eles [governo federal] me chamaram pra alguma reunião nesses ministérios? Eu, Celina, nenhuma vez”, pontuou.
Recuperação monitorada pelo Banco Central
A governadora garantiu que a situação financeira do BRB está a ser tratada com transparência junto aos órgãos reguladores, bem como confirmou o acesso ao balanço e do plano de negócios (Business Plan), da instiuição financeira, por parte do Banco Central (BC), com detalhamento do processo de recuperação da instituição. A autorização do BC para que o BRB ainda não publicasse seu balanço financeiro seria, segundo Celina Leão, uma prova de conhecimento do processo de reestruturação do banco.
“Por que você acha que até hoje o Banco Central permitiu que a gente não publicasse o Balanço? Porque nós estamos em recuperação”, disse a governadora Celina Leão ao acrescentar a existência de conversas em andamento com o BC e com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para viabilizar alternativas, como uma linha de financiamento. De forma enfática, Celina Leão garantiu a solvência do banco: “O que eu posso garantir é que o BRB não irá quebrar. Isso eu posso garantir para vocês 100%.”, concluiu.
Nacionalização x retorno ao fomento regional
A governadora criticou a estratégia da gestão anterior, de buscar nacionalizar o banco, ao que classificou de desvio da vocação original da instituição financeira. Celina Leão mencionou que o erro estratégico foi acompanhado por casos de corrupção já comprovados judicialmente. “O banco saiu da sua linha de cumprimento de dever. Ele [BRB] quis se nacionalizar, se juntar com o Master e não é esse o objetivo do BRB”, avaliou.
Para Celina Leão, o papel do BRB é ser um banco regional, voltado para o fomento de pequenos negócios, o investimento no esporte local e o financiamento da infraestrutura do Distrito Federal. A governadora destacou que programas sociais, o fundo de aposentadoria dos servidores e o crédito para a construção civil dependem da instituição. “Você não pode deixar isso sair da cidade. É um banco regional”, reforçou.
Novos rumos e auditoria
A nova diretriz, segundo a governadora, é “voltar às nossas raízes e cuidar da nossa casa”. Um dos projetos em planejamento é a criação de uma linha de financiamento para substituir cerca de 500 carroças por “tuc-tucs”, visando eliminar a tração animal e o descarte irregular de lixo. “Isso é resgatar a identidade da cidade”, afirmou, criticando gastos anteriores que não tinham relação com a realidade local, como o patrocínio a uma “vela em Dubai”.
Em relação aos patrocínios esportivos da gestão passada, como o do Flamengo, Celina Leão considerou que não foi um erro do ponto de vista de marketing, pois resultou na abertura de quase oito milhões de contas e na divulgação da marca. Contudo, a chefe do Buriti lembrou que, na época em que era secretária de Esporte, exigiu e conseguiu um patrocínio de R$ 6 milhões para o campeonato local, o Candangão, como contrapartida.
Por fim, a governadora informou que uma das maiores empresas de auditoria internacional foi contratada para investigar a fundo a instituição. “Tudo que a gente pega de erro, a gente manda para a Polícia Federal, para o Ministério Público Federal, para que isso seja apurado. Mas eu tenho certeza que o BRB vai sair desse momento difícil”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;












