Por Kleber Karpov
O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF) iniciou, em março de 2026, a implementação de um inovador teste de DNA-HPV na rede pública, tornando o Distrito Federal uma das primeiras unidades da federação a adotar a tecnologia. O projeto piloto, que abrange as Regiões de Saúde Sudoeste e Oeste, visa aprimorar o rastreamento e a detecção precoce do vírus causador do câncer de colo de útero em mulheres da região.
A nova metodologia de análise molecular se destaca pela alta sensibilidade, permitindo um diagnóstico mais preciso e antecipado. Segundo Fabiano Costa, gerente de Biologia Médica do Lacen-DF, a principal vantagem é a capacidade de identificar o vírus antes do desenvolvimento de lesões.
“Esse é um teste mais sensível, capaz de detectar com mais rapidez a presença do vírus HPV de alto risco, antes mesmo do surgimento das lesões no colo do útero”, explicou costa ao observar que exame de DNA-HPV é capaz de identificar 14 genótipos do papilomavírus humano considerados de alto risco para o desenvolvimento de câncer. O gerente do Lacen-DF ressaltou a importância de focar nos tipos mais agressivos. “Dos 14 genótipos que estão envolvidos com alto risco oncogênico, dois deles, o 16 e o 18, estão relacionados em até 70% dos casos de câncer de útero, por isso, a importância do exame detectar precocemente”, concluiu.
Projeto piloto e protocolos
A fase inicial do projeto já processou cerca de 500 amostras de pacientes de localidades como Águas Claras, Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga, Ceilândia e Brazlândia. A meta é alcançar 3,5 mil mulheres atendidas até o final de junho, o que permitirá avaliar os desafios operacionais antes de expandir o serviço para todo o Distrito Federal.
A coleta do material para análise é realizada de maneira similar ao tradicional exame de papanicolaou e é processada por meio da técnica de PCR. Uma das vantagens do novo método é o intervalo estendido entre os exames, que passa a ser de cinco anos para casos com resultados negativos, otimizando recursos e reduzindo a necessidade de intervenções.
O protocolo de atendimento varia conforme o resultado. Pacientes com diagnóstico positivo para os tipos 16 ou 18 são diretamente encaminhadas para colposcopia. Para os demais tipos de HPV de alto risco, a conduta é diferente.
“Se detectada a presença de outros tipos de HPV de alto risco, a mesma amostra é encaminhada para citologia reflexa, que será realizada no Núcleo de Citologia, situado no Hospital Materno Infantil (Hmib), para avaliar se há presença de alteração celular. O objetivo é identificar precocemente as lesões cancerígenas”, disse Costa.
Segundo o gestor, é fundamental reforçar que um resultado positivo para HPV não equivale a um diagnóstico de câncer. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são responsáveis pela coleta das amostras e, após a análise pelo Lacen-DF, as equipes da Atenção Primária realizam o acompanhamento e os encaminhamentos necessários para cada paciente.
Iniciativa do Ministério da Saúde
A adoção do teste de biologia molecular pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é uma diretriz do Ministério da Saúde, que está sendo implementada de forma gradual em 12 estados brasileiros. O plano nacional prevê a testagem anual de um quinto da população feminina, com prioridade inicial para mulheres consideradas de maior risco para o desenvolvimento da doença.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.










