Por Kleber Karpov
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveu um dispositivo vestível inovador para reduzir os tremores causados pela doença de Parkinson. A iniciativa, apoiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e divulgada em (10/Abr), utiliza materiais inteligentes para filtrar os movimentos involuntários, buscando devolver a autonomia e a qualidade de vida a quem convive com a condição.
A tecnologia se baseia em estruturas conhecidas como metamateriais inteligentes, projetados para responder a estímulos específicos, como vibrações e movimentos. O sistema atua diretamente nas frequências dos tremores característicos do Parkinson, funcionando como um filtro que diminui a intensidade das ações involuntárias sem interferir nos movimentos voluntários do usuário.
O dispositivo também possui um diferencial de eficiência energética, pois utiliza materiais piezoelétricos capazes de converter a energia mecânica dos próprios tremores em eletricidade para alimentar seus componentes. Além disso, sensores registram os padrões de movimento do paciente, gerando dados que podem auxiliar no acompanhamento clínico da evolução da doença.
“A ideia surgiu da necessidade de oferecer mais autonomia e qualidade de vida às pessoas com Parkinson, por meio de uma solução tecnológica que acompanhe a evolução dos tremores ao longo do tempo”, disse Marcela Rodrigues Machado, coordenadora do projeto.
Diferencial em relação às soluções atuais
As órteses tradicionais para o controle de tremores são geralmente baseadas em estruturas rígidas ou mecanismos passivos. Tais soluções limitam a amplitude de movimento do paciente e, frequentemente, precisam ser substituídas conforme a doença progride e os padrões de tremor se alteram.
A proposta desenvolvida na UnB oferece uma alternativa mais leve, programável e adaptável. O dispositivo é capaz de se ajustar às mudanças nos tremores do paciente, eliminando a necessidade de trocas constantes. Outro avanço é a capacidade de monitoramento contínuo, uma funcionalidade ainda pouco disponível no mercado.
Segundo Marcela Rodrigues, os testes realizados em laboratório apresentaram resultados promissores, com uma redução significativa na intensidade das vibrações. As avaliações demonstraram eficácia inclusive em faixas de baixa frequência, que representam um dos maiores desafios técnicos na área. “Nosso principal objetivo é devolver autonomia às pessoas, permitindo que elas realizem tarefas simples do dia a dia com mais segurança e confiança”, disse.
Apoio e próximos passos do projeto
A pesquisa foi viabilizada por um investimento de R$ 1 milhão da FAPDF, por meio da chamada pública BIO Learning, de 2023. O fomento foi crucial para a aquisição de equipamentos, estruturação do laboratório e formação da equipe multidisciplinar, que inclui estudantes de graduação e pós-graduação.
Atualmente, a tecnologia está no Nível de Maturidade Tecnológica (TRL) 4, que corresponde à fase de validação em ambiente laboratorial. O objetivo da equipe é avançar para os níveis 5 e 6, etapas que envolvem testes em ambientes mais próximos da realidade e a validação do protótipo em um cenário de aplicação prática.
“O apoio da FAPDF foi essencial para que o projeto avançasse do campo teórico para uma aplicação mais próxima da realidade. O fomento permitiu investir em infraestrutura, desenvolver protótipos e formar uma equipe qualificada para transformar essa pesquisa em uma solução concreta”, afirmou Marcela Rodrigues.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.











