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20 mar 2026 04:48

Jorge Vianna e Manuel Neri, presidente do Cofen atualizam profissionais de Enfermagem sobre tramitação da PEC 19 no Senado

Estratégia foca em jornada de 36 horas e reajuste anual pelo INPC para viabilizar aprovação no Congresso da Proposta de Emenda Constitucional que trata do reajuste do piso salarial dos profissionais de enfermagem

Por Kleber Karpov

Em discussão realizada no dia 19 de março (19/Mar), em live por meio da rede social Instagram, o deputado distrital, Jorge Vianna (PSD) e o presidente do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), Manuel Neri, detalharam a estratégia política para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 19, que trata do reajuste do piso salarial da categoria, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. Os representantes da categoria indicam a abordagem central, atuar em negociação pragmática no Congresso Nacional, que atrela o piso a uma jornada de 36 horas semanais, em vez das 30 horas inicialmente reivindicadas, para garantir a aprovação da medida antes do período eleitoral.

A negociação pragmática

Representantes da Enfermagem reunida com senadores para tratar da PEC 19, em tramitação na CCJ – Foto: Cofen

A principal frente de atuação defendida por Vianna e Neri é a busca por um acordo possível diante da atual conjuntura política. A reivindicação histórica da categoria por um piso vinculado a uma jornada de 30 horas semanais enfrenta resistência e falta de consenso no próprio Senado, conforme observou o deputado. Diante desse cenário, a estratégia adotada é garantir a aprovação do piso com base em 36 horas.

“Mesa de negociação é assim: é o que eu quero é o ideal. E é o que o patrão ou gestor quer para ele, e ele não quer nunca dar nada pra gente. Então começa a negociação. E hoje, nessa negociação apareceu a proposta assim: ‘Olha a gente aceita nós senadores colocar em pauta o próprio senador Otto Alencar [PSD-BA] que é o presidente da comissão só coloca em pauta se tiver acordo entre os senadores e entre as entidades se for para 36 horas semanais do piso não vai reduzir carga horária é o piso para 36 horas.”, explicou Vianna.

Votação antes do período eleitoral

Segundo os líderes, a urgência se deve à proximidade do período eleitoral, que pode paralisar as votações no Congresso. O objetivo é assegurar um ganho real e imediato para os profissionais, consolidando o piso salarial antes que a janela de oportunidade legislativa se feche.

“Nós estamos tendo sucesso pode não ser da forma ideal gente mas é da forma que é possível para nós avançarmos então fixar o que tá sendo acordado para votar a PEC19 e tirar ela da CCJ, levar para o plenário do Senado e depois para a Câmara dos Deputados é uma jornada de trabalho para cálculo do piso fixado em 36 horas semanais”, explicou Neri.

O cálculo do piso

Um ponto técnico enfatizado durante o debate foi o de que a PEC 19 não tem como objetivo regulamentar ou alterar a jornada de trabalho efetiva dos profissionais nas instituições de saúde. A proposta visa modificar exclusivamente a base de cálculo para o valor do piso salarial.

“A gente quer 30 horas aliás a gente quer que o piso seja para 30 horas e a gente quer que a carga-horária seja 30 horas semanais. Só que são duas coisas diferentes o movimento da redução de carga-horária para 30 horas semanais é um movimento. E o movimento da PEC 19 é outro movimento. Nós estamos falando aqui é PEC 19 é o piso para 30 horas”, explicou Vianna.

Atualmente, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o cálculo é feito com base em 44 horas semanais, o que, segundo os representantes, achata os vencimentos proporcionais da maioria dos profissionais. A luta pela regulamentação da jornada de 30 horas continuará, mas por meio de outros projetos de lei que tramitam em paralelo.

“A PEC 19 ela não regulamenta a jornada de trabalho. Ela não propõe regulamentar a jornada de trabalho em 30 horas semanais. O que a PEC 19 trata é da regulamentação de uma jornada de trabalho para o cálculo do piso salarial que hoje é calculado em cima de uma jornada de trabalho de 44 horas semanais, que foi fixado por decisão do Supremo Tribunal Federal”, complementou Neri.

Reajuste anual e mobilização política

Senador Fabiano Contarato (PT/ES) conversa com representantes da Enfermagem – Foto: Cofen

Reajuste anual

Para garantir a manutenção do poder de compra, a PEC 19 propõe a criação de um mecanismo constitucional que assegure o reajuste anual do piso com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A medida busca corrigir o congelamento do piso atual, que ocorreu após o veto presidencial, realizado pelo ex-presidente, Jair Messias Bolsonaro (PL/RJ), aos reajustes previstos na lei original.

“A gente tem que brigar por reajuste, a gente tem que brigar por carga-horária e a gente tem brigar por exercício profissional. Ou seja, por tudo nós estamos brigando. O bom é que todos nós unidos para poder defender quem? Você trabalhador”, disse Vianna.

No campo da mobilização, a pressão direta sobre os parlamentares foi apontada como fundamental. Uma marcha recente que reuniu mais de 4.000 profissionais em Brasília foi citada como o fator que forçou a reabertura das negociações no Senado. Como estratégia de longo prazo, Vianna e Neri incentivaram a categoria a eleger mais representantes da enfermagem para o Legislativo, a fim de fortalecer a chamada “bancada da seringa” e combater o lobby de instituições privadas de saúde.

“Só reclamar na internet gente não ajuda. Então vamos usar aí a nossa o nosso poder de voto agora nesse pleito eleitoral para manter o mandato dos profissionais de enfermagem que são deputados estaduais, distritais, deputado federal, senadores e ampliar o tamanho dessa nossa bancada aí, para ampliar a força da Enfermagem dentro do Congresso Nacional. Isso aí é fundamental para avançarmos não só em relação ao piso salarial mas em todos esses projetos de lei”, ressaltou Neri.

Confira o vídeo, na íntegra:




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

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