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15 abr 2024 07:45


Polícia Federal prende mandantes do assassinato de Marielle Franco

Delegado da Policia Civil doe Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, à época, chefe da Delegacia de Homicídios, também foi preso por dar cobertura aos criminosos e deixar de investigar o crime

Por Kleber Karpov

A Polícia Federal (PF) deflagrou neste domingo (24/Mar) a ‘Operação Murder Inc.’, no interesse da investigação que apura os homicídios da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves. A ação, que conta ainda com a participação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que levou à prisão preventiva dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do atentado contra a então vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (Psol/RJ), em março de 2018.

Os mandantes do assassinato, o deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil-RJ) e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), foram apontados à PF, em delação premiada, pelo ex-policial militar do Rio de Janeiro, Ronnie Lessa. Ambos os criminosos contam com foro privilegiado. O primeiro por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) e o segundo, pelo Superior Tribunal da Justiça (STJ).

Também foi preso o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ), Rivaldo Barbosa, que, um dia antes do crime, assumiu a chefia da PCRJ, acusado de dar cobertura aos mandantes do crime. 

A PF cumpriu ainda, 12 mandados de buscas autorizados pelo STF, todos na cidade do Rio de Janeiro/RJ. As buscas ocorrem nas sedes do TCE-RJ e da Chefia de PCRJ, além da casa do delegado Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios do RJ à época do assassinato de Marielle Franco e do motorista da então vereadora, Anderson Gomes.

Mais um passo

Anielle Franco, irmã de Marielle Franco, e ministra da Igualdade Racial, utilizou as redes sociais para lembrar que a prisão preventiva dos mandantes é mais um grande passo para se chegar responder a uma outra pergunta relevante, qual a motivação do assassinato.

Anielle Franco, agradeceu ainda o empenho da PF, do governo federal, do MP e ao ministro do STF Alexandre de Moraes. “Estamos mais perto da Justiça”, considera Anielle. “Só Deus sabe o quanto sonhamos com esse dia! Hoje é mais um grande passo para conseguirmos as respostas que tanto nos perguntamos nos últimos anos: quem mandou matar a Mari e por quê?”

Desabafo

Para o ex-deputado federal e atual presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Marcelo Freixo (PT-RJ), publicou um desabafo nas redes sociais em que chamou atenção para a prisão de “quem não deixou investigar”, ao frisar a transformação da Delegacia de Homicídios do RJ, ao que classificou de “escritório do crime”, por impedir ou atrapalhar as investigações do caso Marielle Franco.

“Hoje nós temos a prisão de quem matou, de quem mandou matar e quem não deixou investigar. Porque é por isso que a gente ficou seis anos, nessa angústia,  sem saber quem mandou matar Marielle. É importante que a gente saiba que a Delegacia de Homicídios, durante esse tempo da Marielle, foi um verdadeiro escritório do crime. Ninguém dos matadores famosos, do Rio de Janeiro que vira série, foram investigados por essa Delegacia de Homicídios. Apesar da gente saber o quanto bons policiais existem no Rio de Janeiro, mas que foram impedidos de investigar corretamente esse caso da Marielle.”, disse Freixo.

Outras repercussões

Também o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta, destacou as medidas tomadas desde o início do mandato do presidente Lula à condição de decisivas para se esclarecer os assassinatos. “O Governo Federal seguirá cumprindo o seu papel para combater essas quadrilhas violentas que cometem graves crimes contra as famílias brasileiras. A continuidade das investigações vai com certeza esclarecer vários outros crimes”, afirmou Pimenta.

Repercussão mundial

Os Assassinatos, ganhou repercussão mundial e despertou atenção do músico britânico Roger Waters, 79 anos, cofundador e ex-integrante da icônica banda inglesa Pink Floyd. Na turnê mundial This is Not a Drill, que passou em cinco capitais brasileiras em 2023, Waters fez homenagem a Marielle Franco.

Em manifestações anteriores, de 2022, Waters homenageou a vereadora, Mônica Benício (Psol/RJ) e a Marielle Franco a quem observou que a fronteira de amizades se estendia para além do Rio de Janeiro, conforme lembrou postagem de Sérgio Barreto no Twitter.

Em 2018 o músico também rendeu manifestações de homenagens ao abrir, em outra turnê no Brasil, espaço para Anielle Franco e a mãe, Marinete da Silva, ocasião em que pediram Justiça em relação a morte de Marielle Franco.

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