Luvas com água morna dão conforto a pacientes com covid-19

Hospital de Base adota técnica simples que transmite sessão de calor humano e faz com que os doentes, isolados na UTI, se sintam amparados

32
Print Friendly, PDF & Email
Por Thaís Umbelino
Solidão, incerteza e medo são alguns sentimentos de quem passa dias ou meses internado com covid-19. Quem acompanha toda essa dor são os profissionais de saúde. São eles que se esforçam para oferecer, além de cuidados médicos, conforto físico e mental aos pacientes. Foi buscando aprimorar esse atendimento que profissionais da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Covid-19 do Hospital de Base adotaram uma técnica que ajuda os pacientes a enfrentarem a doença.
A técnica consiste em usar luvas cirúrgicas cheias de água morna para transmitir a sensação de calor humano. Thaís Ribeiro, gerente de Enfermagem, explica como funciona: “Enchemos duas luvas com água morna. Colocamos uma das mãos do paciente entre as duas luvas. O paciente passa a ter a sessão de que alguma pessoa está segurando sua mão. Essa sensação produz conforto psicológico, ajudando a acalmar o paciente”.
Thaís descobriu a técnica ao pesquisar na internet métodos simples que, porém, produzem grandes benefícios à saúde mental e física dos pacientes. “Vi que outros hospitais públicos brasileiros estavam usando essa técnica em pacientes com coronavírus”, revelou. “Então, decidi adotá-la também no Hospital de Base. O resultado tem sido positivo”.

Pacientes reagem bem

A técnica também foi aprovada pela enfermeira-chefe da UTI Covid-19 do Hospital de Base, Josilene Cardoso Pereira. Ela percebeu que os pacientes submetidos ao relaxamento com as luvas mornas ficaram bem mais tranqüilos. “Observamos que os pacientes da UTI, que se sentem sozinho, ficaram mais tranqüilos”, relata. “Essa reação foi ainda melhor em paciente que começam a retomar, aos poucos, a consciência”.
Além do bem-estar, o método facilita averiguar o quadro clínico dos pacientes. Isso porque, as luvas ajudam a esquecer as mãos dos enfermos para que se possa medir o grau de saturação de oxigênio do paciente,  conforme a enfermeira-chefe.
Josilene Pereira explica que o uso de drogas evasivas, usadas para ajudar na circulação do sangue, faz a temperatura do paciente baixar, dificultando a aferição, que é feita por meio de contato com os dedos do doente. Já as luvas aquecem as mãos, elevando a temperatura corporal e facilitando medir a saturação de oxigênio. Antes, eles usavam luvas de pano e algodão ortopédico ara fazer esse trabalho.
Artigo anteriorMinistro das Relações Exteriores, Carlos França, recebe ligação do ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi
Próximo artigo“O meu compromisso é uma atenção muito especial com a saúde do policial”, afirma comandante da PMDF