Rollemberg assina decreto de sigilo de viagens, se ‘arrepende’ e afirma desconhecer teor de documento assinado?

Deputada distrital Celina Leão classificou de ‘ato secreto e apontou contrassenso de Rollemberg, ao tentar tornar viagens sigilosas, quando se elegeu sob o discurso da transparência  

Por Kleber Karpov

O governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB) publicou no Diário Oficial do DF (DODF), na quinta-feira (7/Março), o Decreto nº 38.914 que permitia, classificar como sigiloso, viagens dos chefes do Executivo e familiares. Porém, após reação do meio político, Rollemberg voltou atrás e revogou os efeitos do Decreto, em edição extra do DODF.

Em matéria publicada pelo Metrópoles, sobre o Decreto nº 38.914, Rollemberg apresentou a suposta causa do ‘arrependimento’. “Assinei o decreto sem ter ciência do inteiro teor das alterações e no que elas acarretariam. O governo atua de maneira transparente e todos os seus atos – inclusive aqueles relacionados ao governador – devem ter ampla divulgação pública”, afirmou o governador à coluna.

Porém, após vir a público, a reação negativa foi imediata. A deputada distrital, Celina Leão (PPS), por exemplo, apresentou, na sexta-feira (9/3), um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para “derrubar o ato secreto”.

Indignada, a Leoa, como é conhecida, publicou um vídeo nas redes sociais em que criticou a postura de Rollemberg em relação ao que chamou de tentativa do governador de editar ‘atos secretos’ na gestão eleita sob a égide da transparência.

“Esse governo que se elegeu com o discurso de transparência, hoje solta um decreto colocando como ato secreto, todas as viagens do governador, de seus familiares e acompanhantes, como ato secreto, ou seja, a população não poderia saber para onde vai o governador. Com qual dinheiro? Pois esse recurso é um recurso público, mas sem o mínimo de transparência. Quando nós tivemos essa informação hoje pela manhã, nós propusemos um Projeto de Decreto Legislativo que iria sustar esse decreto do governador. Rapidamente ele volta atrás, teve um surto de arrependimento e disse que assinou esse documento, sem saber do que se tratava. Eu não sei o que é mais grave, um governo que assina um documento sem saber o que é, ou um governador que faz um discurso de transparência, mas tem uma prática muito deferente daquela que se comprometeu.”, disparou Celina Leão.

Assista o vídeo

Reincidência

Para quem acompanha a política do DF, o ‘desconhecimento’ de Rollemberg, acontece com mais frequência do que devia. Um bom exemplo disso pode ser reportado à defesa, por parte do governador, de se implantar Organizações Sociais (OSs), na gestão da Saúde do DF.

À partir de meados de 2015, Rollemberg começou a propagar, aos quatro cantos do DF que o Hospital da Criança de Brasília José de Alencar (HCB) era referência em modelo de gestão por meio de OS. No entanto, um ano depois, ao ser questionado por Política Distrital (PD), em uma entrevista coletiva com blogueiros do DF, se tinha conhecimento da existência de uma demanda reprimida de 15 mil crianças que aguardavam atendimento na unidade, algumas por mais de um ano, Rollemberg admitiu, desconhecer tal fila.

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