Filha de idosa de 61 anos reclama por demora em início de tratamento contra câncer no Instituto Hospital de Base do DF

Esse descaso todo com uma senhora de idade! E já se passaram 60 dias e nada.”, reclama filha de dona Francisca, com câncer

Por Kleber Karpov

Na quarta-feira (4/Abr), Política Distrital (PD) recebeu um pedido de socorro, por parte da auxiliar de escritório, Genilda Florentino, 34 anos, filha de dona Francisca Florentino Ferreira, de 60 anos, residente no núcleo Rural casa grande setor de chácaras do Gama. Genilda Florentino aguarda o início de tratamento de radio e quimioterapia no Hospital de Base do DF (HBDF). Entre equipamento quebrado e inclusão de nome em sistema, a idosa aguarda, por mais de 60 dias, para iniciar o combate a um tumor cancerígeno.

“Minha Mãe esta necessitando fazer tratamento de radioterapia e quimioterapia. É uma senhora de 60 anos de idade, fez todos os exames, mas infelizmente ainda não começou o tratamento. Primeiro informaram que não ia começar de imediato por que a máquina do Hospital de Base estava quebrada passou-se duas semanas consertaram a máquina. Fomos lá no Hospital de Base novamente aí falaram que agora dependemos da Secretaria de saúde. Por que o nome dela está no sistema da Secretaria onde eles precisam entrar em contato com minha mãe para podermos voltar no hospital de base para poder agendar. Esse descaso todo com uma senhora de idade! E já se passaram 60 dias e nada.”, afirmou.

Genilda Florentino reclama ainda do jogo de ‘empurra’ por parte do Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF), serviço social autônomo que gerencia o hospital para a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES), responsável maior pela unidade, além da falta de informações concretas sobre quando deve ocorrer o início do tratamento.

“Ligo no hospital todos os dias a informação quando atendem é: A senhora precisa que a secretaria de saúde ligue para poder a senhora poder vir agendar! Ou seja, já secretaria informa que não tem nem previsão por que a fila é grande e infelizmente tem que esperar! Uai como assim? Então todos que estiver na fila vão morrer? Me desculpe. É uma falta de respeito com o ser humano.”, questionou.

O que diz a SES

Em nota a Secretaria tenta amenizar o problema e afirma que dona Francisca Florentino foi atendida no ambulatório da Oncologia há cerca de um mês. “O Instituto Hospital de Base (IHB) informa que a paciente F.F.F. foi atendida no Ambulatório de Oncologia, em 12 de março, fez exames e aguarda os resultados para prosseguir com o tratamento.”.

A pasta alega ainda que os dois aparelhos da radioterapia, estão em funcionamento. “O IHB esclarece que os dois equipamentos da radioterapia estão funcionando e que a quimioterapia está sendo realizada normalmente.”.

Porém

De acordo com Genilda Florentino, a mãe, que aguarda o início do tratamento, já entregou os resultados dos exames para a médica do IHBDF que prescreveu a realização das sessões de radio e quimioterapia. Ainda segundo a filha de Dona Francisca, os exames que a SES-DF se refere foram na verdade uma tomografia, e outros exames realizados no HBDF e no Hospital das Forças Armadas (HFA).

“Esse do dia 12/03 foi a tomografia solicitada pela médica. E os outro fizemos lá no hospital de base e a ressonância fizemos no HFA. Minha mãe já entregou todos os resultados para a Drº. Ela passou a quimioterapia e radioterapia quando fomos marcar para começar o tratamento. Chegando no setor fomos informadas que a maquina estava quebrada. Em resposta sobre a quimioterapia ela não esta fazendo não! Então segundo funcionários está no sistema aguardando ligação da Secretaria de saúde ligar para ir novamente lá no hospital marcar os dois. Mas aí esta o problema, a Secretaria de Saúde não liga. (SIC)”, disse.

60 dias

Durante uma reunião Tribunal Regional Federal 1a Região (TRF1)(6/Mar), selou um acordo entre representantes da Defensoria Pública da União (DPU), Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), Ministério Público Federal (MPF), Ministério da Saúde (MS), SES-DF, HBDF, Hospital Universitário de Brasília (HuB), Instituto de Radiologia de Taguatinga (IRT), Hospital Santa Lúcia e Hospital Sírio Libanês, com objetivo de aumentar de 150 para 294 a oferta de vagas/mês de radioterapia no DF e do Entorno, para portadores de neoplasia maligna (câncer).

Pelo acordo, está previsto que essa duplicação de ofertas de vagas na radioterapia deve ocorrer até maio deste ano. Também ficou firmado que, até o dia 1º de agosto, todos os pacientes serão atendidos em até 60 dias, conforme fixado na Lei 12.732/12, o que deve beneficiar, no momento, aproximadamente 400 pacientes que aguardam o início do tratamento fora desse prazo.

Atualização: 9/4/18 às 16h32

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