Dia mundial de conscientização sobre o autismo destaca rede de atendimento

Secretaria de Saúde do Distrito Federal oferece diagnóstico e centros especializados

Por Humberto Leite

Rute Vieira, 39, do lar, conhece bem os serviços da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Mãe de Isabella, 9, diagnosticada com Transtorno de Espectro Autista (TEA), ela sabe explicar como funcionam as redes envolvidas no atendimento da filha, entre unidades da Atenção Primária e Centros Especializados. E elogia o tratamento recebido: “Faz toda a diferença quando o profissional é realmente capacitado”, conta. Esse cuidado integrado ganha destaque no Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, comemorado em 2 de abril.

O autismo é um tema sob atenção de praticamente toda a Secretaria de Saúde, conforme detalhado na Linha de Cuidado da Saúde da Pessoa com TEA, em vigência desde 2023. Mesmo os profissionais não envolvidos diretamente no tema recebem qualificação sobre o assunto.

A Isabella, por exemplo, foi encaminhada para avaliação após um atendimento por conta do refluxo gástrico. Hoje, ela faz acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) de Taguatinga, no Centro Especializado em Reabilitação – CER II de Taguatinga, no Centro de Orientação Médico-psicopedagógica (COMPP) e na Unidade Básica de Saúde (UBS) 11 de Ceilândia – perto de onde mora.

Em cada um desses locais, há um atendimento específico, conforme as necessidades da Isabella e da sua mãe, que também conta com apoio da SES-DF tanto para a saúde física quanto mental. “O atendimento multiprofissional para estes casos é muito importante porque permite uma intervenção integral, abordando todos os aspectos e fatores envolvidos no quadro”, afirma a subsecretária de Saúde Mental da SES-DF, Fernanda Falcomer.

Rute Vieira diz que atendimento da sua filha Isabela tem como destaque o profissionalismo dos servidores. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF

Porta de entrada

A principal porta de entrada é a rede de UBSs. Nestes locais, os servidores podem identificar os sinais do transtorno e encaminharem a centros especializados, em caso de necessidade. As UBSs também fazem a orientação das famílias e o acompanhamento contínuo, além de lidarem com outras questões de saúde. “A maior parte das necessidades das pessoas com TEA pode e deve ser atendida nesse nível, garantindo um cuidado próximo da comunidade, reduzindo barreiras de acesso e promovendo melhor qualidade de vida”, explica a chefe da Assessoria de Redes de Atenção à Saúde da SES-DF, Carolina César Ferreira.

Além da equipe de enfermagem e de profissionais de medicina da área de família e comunidade, as UBSs contam com as “equipes e-Multi”, formadas por servidores especialistas em áreas como terapia ocupacional, psicologia, fisioterapia e nutrição, dentre outros. Tratamentos odontológicos especializados são ofertados nos Centro de Especialidades Odontológicas (CEOs), enquanto os Centros Especializados em Reabilitação tratam aspectos específicos, como o desenvolvimento da fala. Já os Caps e o COMPP oferecem acompanhamento na área de saúde mental. Todos os encaminhamentos são realizados a partir da UBS onde a pessoa com TEA é atendida, considerando a complexidade de cada caso e seguindo critérios específicos.

Equipes multidisciplinares abordam diversos aspectos das pessoas com autismo. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF

Por respeito e acolhimento

Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo revela a importância do tema. Por um lado, profissionais de saúde e familiares precisam estar atentos aos sinais para alcançar um tratamento precoce e um acompanhamento adequado das pessoas com TEA. Ao mesmo tempo, ganha a importância a necessidade de uma conscientização geral da sociedade.

“A nossa sociedade está caminhando para uma aceitação melhor. Mas ainda há muito preconceito”, opina a gerente substituta no CAPSi de Taguatinga, Viviane Felipe Cantos Veras. Duas vezes por semana, a unidade da SES-DF reúne crianças e adolescentes com TEA, e seus familiares, para encontros onde são discutidos os desafios da integração social. “Trabalhamos para que essa criança ou esse adolescente consiga ter uma reintrodução na sociedade, com uma qualidade de vida melhor”, acrescenta.

Nem sempre é fácil. Além de enfrentar os desafios diários e cumprir uma agenda ampla de atendimentos, é necessário lidar com julgamentos e falta de compreensão. É o que conta Elisângela Viola, 40, mãe do Arthur da Silva, de quatro anos. “Pessoas que não têm filhos com TEA pensam que é falta de educação. Falta conhecimento e empatia”, revela. Para ela, é preciso ser forte para enfrentar os desafios diários e esperar uma melhor compreensão de quem não tem autistas na família.

Elisângela Viola, mãe do Arthur da Silva, destaca a importância da informação e da empatia para lidar com o assunto. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde-DF

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