Corte amplo de gastos públicos pode atingir área social, avaliam economistas

Candidatos à Presidência debatem alcance de eventual contenção de despesas do orçamento federal

Por Kleber Karpov

Especialistas em contas públicas indicaram, nesta quarta-feira (14/Out), em Brasília, que um corte orçamentário profundo no governo federal tende a alcançar programas sociais e travar reajustes do salário mínimo, aposentadorias e pensões. O debate ganhou força nas campanhas presidenciais após propostas de ajuste fiscal na ordem de R$ 200 bilhões. Segundo analistas, a rigidez das despesas obrigatórias inviabiliza uma contenção desse porte sem comprometer áreas essenciais.

O professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destacou que cerca de 90% do orçamento primário da União é composto por despesas vinculadas, a exemplo de Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC), folha salarial e pisos constitucionais de saúde e educação. De acordo com o docente, a margem discricionária do Executivo soma pouco mais de R$ 200 bilhões, valor destinado a investimentos e à manutenção de universidades e hospitais.

“Cerca de 90% do gasto primário federal é obrigatório: Previdência, BPC, pessoal, pisos de saúde e educação, Bolsa Família. O que sobra, as despesas discricionárias, soma pouco mais de R$ 200 bilhões. Um corte de R$ 200 bilhões que preserve os benefícios sociais zera o resto. Se não zera, entra nos benefícios. Não há terceira opção”, declarou Pedro Paulo Zahluth Bastos.

Efeito na atividade econômica

A professora Maria Lourdes Mollo, da Universidade de Brasília (UnB), afirmou que a redução abrupta dos desembolsos estatais gera retração na renda e no emprego. Segundo a economista, os investimentos governamentais possuem efeito multiplicador sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e sua retirada, combinada com juros elevados, derruba a arrecadação tributária. A queda na receita pública, por sua vez, comprime os limites constitucionais voltados para saúde e educação.

O candidato Flávio Bolsonaro, do PL, defendeu ajuste fiscal equivalente a 1,5% do PIB, cifra próxima a R$ 190 bilhões, sob a coordenação da assessora econômica Daniella Marques. O parlamentar negou que a tesourada orçamentária deva atingir camadas vulneráveis, com a promessa de direcionar cortes contra supersalários no funcionalismo e fraudes previdenciárias.

“Supersalários e penduricalhos acima do teto são um problema de justiça, não de orçamento. Extinguir dez ministérios economiza o custo administrativo, que é pequeno; o dinheiro está nos programas que os ministérios executam. Nenhum governo cortou R$ 200 bilhões em desperdício. Quem cortou, cortou da população”, rebateu o professor da Unicamp.

Planos da situação

A equipe da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, apontou que o plano da oposição deve penalizar os segurados do INSS. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, declarou à imprensa que a gestão federal pretende reduzir gradualmente o déficit primário por meio da desaceleração de despesas obrigatórias, sem prejuízo a direitos adquiridos, com a projeção de alcançar superávit de 1,5% do PIB em 2030 sob o Novo Arcabouço Fiscal.

Pedro Paulo Zahluth Bastos alertou ainda que a maior pressão sobre as finanças do Estado brasileiro decorre dos juros da dívida pública, que consomem quase R$ 1 trilhão por ano. O Brasil atingiu em 14 de outubro as maiores taxas reais de juros globais, fator que amplia o passivo da União independentemente dos cortes executados na área social.



Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

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