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19 mar 2026 01:56

Caso confirmado de sarampo em São Paulo acende alerta sobre cobertura vacinal

Confirmação em bebê de 6 meses reforça importância da imunização coletiva para proteger quem não pode ser vacinado

Por Kleber Karpov

A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de seis meses em São Paulo, registrada na semana passada, acendeu um alerta sobre a importância da manutenção de altas coberturas vacinais. A imunização em massa funciona como uma barreira de proteção para indivíduos que, como a criança infectada, ainda não têm idade para receber a vacina. O caso ocorreu após a família da bebê ter viajado para a Bolívia em janeiro, país que enfrenta um surto da doença desde o ano passado.

A criança diagnosticada com sarampo ainda não havia atingido a idade mínima para imunização, conforme o calendário do Sistema Único de Saúde (SUS). O cronograma prevê a aplicação da primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, aos 12 meses de idade. Aos 15 meses, é administrada a tetra viral, que adiciona proteção contra a catapora.

Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), quando a cobertura vacinal na população é elevada, os bebês mais novos ficam indiretamente protegidos. Essa barreira impede a circulação do vírus e resguarda quem ainda não pode ser vacinado.

“A vacina do sarampo também impede a infecção e a transmissão com alta efetividade. Ela tem essa capacidade, que a gente chama de esterilizante. Além de prevenir que a pessoa contraia a doença, ela também evita que essa pessoa seja um portador e transmissor do vírus”, disse Renato Kfouri.

Risco de surtos

O caso da bebê, que viajou para uma área de surto, evidencia como a alta cobertura vacinal é essencial para impedir que infecções importadas desencadeiem surtos no Brasil. O sarampo é uma doença com altíssima capacidade de transmissão, principalmente entre pessoas não vacinadas.

Kfouri alerta que a imunização em larga escala é o que impede a circulação do vírus. A falha nessa barreira cria um ambiente de risco, mesmo para quem não viaja para o exterior.

“O sarampo é uma doença de altíssima transmissibilidade, especialmente entre os não vacinados. A imunização em altas taxas é o que funciona como barreira na circulação do vírus. Mas se isso não acontecer, não é nem necessário que alguém viaje e contraia o vírus lá fora. Basta ficar aqui, com tanta gente vindo de outros países onde há surto, que o risco é o mesmo”, afirmou o vice-presidente da Sbim.

Vacinação no Brasil

No ano passado, os dados de imunização no país mostraram que 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina. Contudo, apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade recomendada. O caso da bebê em São Paulo foi o primeiro registro da doença no Brasil neste ano. Em 2025, foram confirmadas outras 38 infecções, a maioria de origem importada.

Apesar dos registros, o Brasil mantém o certificado de área livre da doença, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde em 2024, por não haver transmissão sustentada em território nacional. O país já havia obtido essa certificação em 2016, mas a perdeu em 2019 após surtos iniciados por casos importados.

Cenário preocupante nas Américas

O continente americano enfrenta uma situação preocupante. Em 2025, foram registrados 14.891 casos de sarampo em 14 países, resultando em 29 mortes. Neste ano, até o dia 5 de março, já foram confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior. A situação é considerada mais grave no México, nos Estados Unidos e na Guatemala.

Renato Kfouri destaca que a grande maioria dos casos ocorre em pessoas não vacinadas, principalmente em crianças com menos de um ano. Ele também contesta a percepção de que o sarampo é uma doença infantil inofensiva.

“Nos surtos, em geral, para cada 1 mil casos da doença, a gente costuma ter um óbito, mas estamos registrando uma proporção muito maior. No ano passado, foram quase 15 mil casos nas Américas, com quase 30 óbitos. As complicações mais comuns são pneumonia ou quadros neurológicos, como encefalite”, disse Renato Kfouri.

Sintomas e riscos

Os principais sintomas do sarampo incluem o surgimento de manchas vermelhas pelo corpo e febre alta, frequentemente acompanhados de tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar. Além dos sintomas diretos, a infecção pelo vírus causa um efeito secundário perigoso: a supressão do sistema imunológico.

“Durante três a seis meses após a infecção pelo sarampo, o nosso sistema de defesa não funciona corretamente, e a gente fica mais vulnerável a ter outras doenças oportunistas infecciosas, que também podem ser graves”, alertou Renato Kfouri.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

 

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