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28 jan 2026 19:43

Mais de 40% de letalidade: autoridades da Índia monitoram reaparecimento do vírus Nipah Cinco casos foram confirmados em Bengala Ocidental

Sem risco de pandemia, surto em Bengala Ocidental atinge cinco profissionais de saúde e leva cerca de 100 pessoas à quarentena

Por Kleber Karpov

Autoridades sanitárias da Índia monitoram um surto do vírus Nipah na província de Bengala Ocidental, onde cinco casos foram confirmados entre profissionais de saúde de um hospital, o que levou cerca de 100 pessoas à quarentena. A partir do alerta local, países vizinhos, como Tailândia, Nepal e Taiwan, reforçaram medidas sanitárias em aeroportos para conter eventuais cadeias de transmissão.

O vírus Nipah é classificado como zoonótico, com transmissão principal de animais para humanos e também por alimentos contaminados. O reservatório natural do patógeno são morcegos frugívoros, já identificados em países asiáticos, como Camboja, Índia, Indonésia e Tailândia, além de nações africanas, como Gana e Madagascar.

Consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, o infectologista Benedito Fonseca explica que a recorrência do vírus em regiões da Índia se relaciona à presença desses morcegos, à flora local e a hábitos alimentares da população. Ele destaca que, nesta época do ano, tamareiras da região produzem uma seiva muito doce, consumida tanto pelos morcegos quanto pela população, em geral sem processo de fervura ou pasteurização.

Segundo o pesquisador, a saliva dos morcegos contamina a seiva, que pode transmitir o vírus a quem a ingere. Outra possibilidade apontada é a ingestão, por outros animais, principalmente porcos, de frutas que caem no chão contaminadas por urina, fezes ou saliva dos morcegos, o que transforma esses animais em fontes adicionais de infecção.

Riscos de transmissão

O Nipah pode ser transmitido pelo contato direto com morcegos contaminados, com fluidos desses animais ou com frutas e seiva contaminadas. Também há relatos de transmissão entre pessoas, sobretudo durante o cuidado de pacientes infectados em ambiente hospitalar, no contato com secreções e fluidos corporais.

A Organização Mundial da Saúde aponta que os sintomas podem ser severos e incluir encefalites fatais, com letalidade superior a 40 por cento dos casos. Os sinais iniciais costumam ser febre, dor de cabeça, dor muscular, vômitos e dor de garganta. Nos casos de agravamento, surgem tontura, sonolência, alterações do nível de consciência e sinais neurológicos compatíveis com encefalite aguda, além de pneumonia e graves problemas respiratórios em parte dos pacientes.

De acordo com Benedito Fonseca, as pessoas acometidas normalmente desenvolvem quadro de encefalite, com queda importante do estado geral, febre e rebaixamento do nível de consciência. Ele ressalta que a taxa de letalidade é elevada e que não há vacina nem tratamento específico para o vírus, sendo o manejo baseado em medidas de suporte e tratamento sintomático.

Baixo potencial pandêmico

Mesmo com relatos de transmissão entre humanos, o infectologista avalia que o potencial de disseminação em nível global é menor do que o de vírus de transmissão respiratória predominante, como os da covid-19 e do sarampo. Fonseca explica que os vírus costumam manter relação estreita com seus reservatórios naturais e que o morcego associado ao Nipah tem distribuição concentrada na Ásia, sem ocorrência nas Américas ou na Europa.

Para o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, o potencial pandêmico, com distribuição mundial, é pequeno. Ele pondera, porém, que existe a possibilidade de surtos epidêmicos localizados, como o que ocorre na Índia, e que a situação exige monitoramento constante. O especialista lembra que o período de incubação em torno de quatro dias permite que uma pessoa infectada viaje longas distâncias antes da manifestação dos sintomas, com risco de transmitir o vírus em outros países.




Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894 Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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