Saúde do DF reforça importância da prevenção, testagem e vacinação contra as hepatites virais

Infectologista destaca importância dos cuidados com o fígado, verdadeiro "operário do corpo"

Por Michelle Horovits

Neste 28 de julho, Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) chama a atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais, infecções que muitas vezes são silenciosas e podem evoluir para quadros graves, como cirrose e câncer de fígado.

A infectologista Sônia Geraldes, médica do Centro Especializado em Doenças Infecciosas (Cedin), explica que o fígado é um órgão vital, mas pouco lembrado no dia a dia. “A gente fala muito do coração e dos pulmões, mas se esquece do fígado, que é um verdadeiro operário do corpo. Quando ele inflama, como nas hepatites, as consequências podem ser sérias”, afirma.

Ela destaca que as hepatites virais são classificadas pelas letras A, B, C, D (Delta) e E, com diferentes formas de transmissão e de prevenção. “A hepatite A, por exemplo, é transmitida pela via fecal-oral — geralmente por água ou alimentos contaminados e costuma causar sintomas agudos. Pode afetar tanto crianças quanto adultos”. Segundo a médica, um dos grupos mais vulneráveis são os homens que fazem sexo com homens, entre os quais já foram registrados surtos da doença. A vacina contra hepatite A é oferecida a crianças e também a pessoas vivendo com HIV/Aids, devido à maior vulnerabilidade.

Testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis nas UBSs. Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

A hepatite B é considerada uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), mas também pode ser transmitida por contato com sangue contaminado — em procedimentos como tatuagens, piercings, uso de material de manicure não esterilizado, entre outros. Em muitos casos, a infecção é assintomática e só é descoberta em exames de rotina. Quando se torna crônica, pode evoluir para cirrose e câncer no fígado.

Outro ponto de atenção é a transmissão de mãe para filho durante a gestação ou o parto, o que torna essencial o rastreio durante o pré-natal. A boa notícia é que existe vacina contra a hepatite B, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). No Distrito Federal, os recém-nascidos já recebem a primeira dose ainda na maternidade. Adultos que ainda não foram vacinados também podem se proteger.

Nos casos em que a infecção se torna crônica, é possível controlar o vírus com o uso de medicamentos antivirais, reduzindo o risco de complicações. A hepatite C também é transmitida por sangue contaminado, mas ainda não possui vacina. O diagnóstico precoce é fundamental, pois há tratamento disponível no SUS com alta taxa de cura.

Testagem e cuidados

Durante o mês de julho, a Secretaria de Saúde promove ações de orientação, testagem e vacinação. Os testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), e os pacientes com resultado positivo são encaminhados para acompanhamento especializado.

Devem procurar a testagem pessoas que nunca se vacinaram contra hepatite B, gestantes, pessoas vivendo com HIV/Aids, profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas e pessoas que fizeram transfusão de sangue antes de 1993 ou procedimentos com risco de exposição ao sangue.

“A hepatite pode não dar sinais no início, mas pode causar danos sérios ao fígado ao longo do tempo. Por isso, é fundamental estar atento, se vacinar e fazer o teste”, reforça a profissional.

 

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