Prevenção ao HIV deve ser feita durante todo o ano

Rede pública oferece tratamento completo, mas a avaliação precoce combinada ainda é a melhor alternativa para evitar contaminação

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O último mês do ano, na Saúde, é marcado pela campanha Dezembro Vermelho, que foca a prevenção e o diagnóstico precoce de HIV, assim como o tratamento da Aids. Essas medidas podem e devem ser mantidas sempre, para evitar a contaminação pelo vírus e o desenvolvimento da doença.

Dados da Secretaria de Saúde (SES) apontam um decréscimo no número de novos casos de HIV e de Aids em 2020. De infecção pelo vírus da imunodeficiência humana, o DF registrou 690 episódios no ano passado, 90 casos a menos do que em 2019. Já da doença adquirida pelo HIV, foram 249 novos casos em 2020, ante 293 no ano anterior.

“A prevenção combinada é definida pela própria pessoa, de acordo com seu momento de vida e o contexto de vivência da sua sexualidade”

Leidijany Paz, enfermeira do Centro Especializado em Doenças Infecciosas

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Referência técnica distrital (RTD) de infectologia, a médica Lívia Pansera explica que o HIV é transmitido principalmente por relações sexuais (vaginal, anal ou oral) desprotegidas com pessoas portadoras do vírus e sem tratamento adequado. Também pode ocorrer a transmissão vertical, que é quando a mãe que vive com HIV sem tratamento passa o vírus para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação. “Pode, ainda, ser transmitido pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados, como agulhas e alicates”, acrescenta a médica.

Para evitar a contaminação, a melhor estratégia é a prevenção combinada. “Essa combinação é definida pela própria pessoa, de acordo com seu momento de vida e o contexto de vivência da sua sexualidade”, explica a enfermeira Leidijany Paz, do Centro Especializado em Doenças Infecciosas (Cedin), referência no tratamento de pessoas com HIV no Distrito Federal.

Demonstrativo dos casos de HIV no Distrito Federal nos últimos quatro anos | Arte: Divulgação/Agência Saúde

Abordagens múltiplas

Segundo a profissional, a técnica consiste no uso simultâneo de diferentes abordagens de prevenção, como uso de preservativos – tanto o masculino quanto o feminino –, uso de gel lubrificante, terapias antirretrovirais, como a PEP (profilaxia pré-exposição), e a testagem regular.

Para definir a melhor combinação, é preciso identificar a autopercepção do risco de exposição ao HIV. “É importante que a autopercepção de risco de exposição ao HIV venha acompanhada de uma consequente redução desse risco, com a incorporação de uma ou mais estratégias de prevenção”, explica a enfermeira, que aponta alguns questionamentos importantes a serem feitos:

Quando você está mais exposto?

Quando está sob efeito de bebida alcoólica ou outra substância que altera a consciência?

Quando está solteiro? Quando está na balada?

Quando está num relacionamento estável e não conversa sobre prevenção de IST?

Qual a melhor prevenção combinada para o momento que você está vivendo atualmente?

Suspeita de contaminação

Caso surja a suspeita de adquirir o HIV devido à exposição sexual (consentida ou vítima de violência) ou acidente biológico com perfurocortantes ocorridos nas últimas 72 horas, a médica Lívia Pansera orienta: “A pessoa exposta pode ser avaliada na unidade de saúde quanto à possibilidade de receber a PEP”.

Caso a pessoa suspeite da infecção há mais tempo, a rede pública de saúde disponibiliza gratuitamente testes para HIV, sífilis e hepatites B e C, nas unidades básicas de saúde (UBSs) ou no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), na Rodoviária do Plano Piloto.

E, se o resultado do teste for positivo, também é oferecido o tratamento clínico-ambulatorial em unidades de saúde especializadas. Nesses serviços, o usuário tem acesso às consultas médicas, exames específicos de monitoramento e ao tratamento com medicamentos antirretrovirais (ARVs). “A pessoa que tiver o diagnóstico de infecção pelo HIV, após avaliação médica adequada deve iniciar a terapia antirretroviral o quanto antes”, alerta a médica.

Os antirretrovirais impedem a replicação do vírus HIV no organismo, evitando o enfraquecimento do sistema imunológico e o desenvolvimento da Aids. “Por isso, o uso regular dos ARVs é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas”, defende Leidijany.

FONTEAgência Brasília
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