Metade dos adolescentes de 13 a 17 anos no DF já experimentou narguilé

Os dispositivos eletrônicos, como os cigarros, também têm sido utilizados pelos jovens

O narguilé, que tem conquistado a garotada nos últimos anos é tão prejudicial à saúde quanto os cigarros convencionais e também proibido para menores de 18 anos. Mesmo assim, já foi usado pelo menos uma vez por 50,6% dos adolescentes de 13 a 17 anos de idade do Distrito Federal.

O dado consta na edição de 2021 do informe epidemiológico do Programa de Controle do Tabagismo, da Secretaria de Saúde, que também alerta para o crescimento de dispositivos eletrônicos, como os cigarros. O modismo, que atrai os mais jovens preocupa as autoridades sanitárias.

“Eles estão preocupando na mesma proporção. É a questão do modismo. O dispositivo eletrônico tem gosto, tem aroma”, afirma Márcia Vieira, gerente de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde da Secretaria. O informe epidemiológico ressalta que os dispositivos eletrônicos têm sido utilizados majoritariamente por jovens, inclusive os que nunca fumaram cigarros industrializados.

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Este aspecto é o que mais preocupa Francimery Alves Bastos, servidora da Policlínica de Taguatinga, que atua nas campanhas de prevenção ao tabagismo e no tratamento de ex-fumantes. “Dificilmente a gente recebe uma pessoa que começa a fumar depois dos 20 anos. A pessoa carrega esse hábito desde que era criança ou adolescente”, explica. O informe epidemiológico mostra que aproximadamente 12% dos moradores do Distrito Federal acima dos 18 anos são fumantes.

Retomada pós-covid

A pandemia de covid-19 fez cair o número de pacientes que buscam ajuda para parar de fumar. De 2.598 atendimentos em 2019, o número caiu para 757 em 2020. A expectativa, agora, é que no último trimestre de 2021 e no início de 2022, tragam uma retomada e que sejam realizadas atividades de prevenção, inclusive para os adolescentes. “Esse assunto tem que ser tratado na escola”, afirma a enfermeira Márcia Vieira.

O Programa Saber Saúde, realizado em parceria com a Secretaria de Educação, leva informações aos adolescentes, em rodas de conversas e com material didático específico. Este tipo de atividade ficou suspensa com a pandemia.

“A pessoa nem sabe que é uma doença”

Atualmente, 56 unidades da Secretaria de Saúde atuam no tratamento do tabagismo. A abordagem é múltipla, com assistentes sociais, nutricionistas, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos e médicos, dentre outros profissionais.

Os pacientes vão por conta própria ou encaminhados, e podem participar de grupos terapêuticos, atendimentos individuais e receberem medicação indicada, além de adesivos para a reposição da nicotina durante o período de interrupção. A porta de entrada para buscar o tratamento é a Unidade Básica de Saúde.

O trabalho envolve conhecer os hábitos da pessoa e verificar quais mudanças são necessárias para abandonar o fumo, com uma parada gradual até o dia da parada abrupta, quando o paciente deve abandonar o cigarro de vez. O envolvimento de amigos e da família é fundamental no processo.

De acordo com o informe epidemiológico, o índice de sucesso está em torno de 34%: é esta a proporção dos pacientes que estavam sem fumar na quarta sessão do tratamento. O índice se manteve semelhante mesmo com a redução de atendimentos na pandemia.

O desafio é a motivação. “O tabagismo é uma doença que faz a pessoa se iludir, porque tem um prazer imediato”, explica a assistente social Francimery Alves Bastos. “A pessoa nem sabe que é uma doença”, completa.

“É uma outra vida”

A cobradora de ônibus Quesia Silva sentia ansiedade na hora de trabalhar. Sem poder fumar dentro do veículo, ela aguardava o fim do expediente para saciar o vício: “Cheguei a fumar duas carteiras de cigarro por dia”, lembra.

Mas o hábito iniciado aos 12 anos de idade trouxe consequências. “Comecei a sentir muita dor de cabeça toda vez que eu fumava. E me dava tristeza”, relata. O custo do cigarro primeiro fez Quesia comprometer 600 Reais da renda mensal com o vício e depois a forçou a adotar produtos de origem duvidosa, que aumentavam ainda mais a dor de cabeça.

A ajuda veio na Policlínica de Taguatinga. Medicada, a moradora da Ceilândia estabeleceu o dia 17 de agosto como o Dia D para largar o cigarro. E conseguiu. Aos 37 anos, ela se sente com uma nova vida. “Estou bem, estou fazendo exercício, estou bonita. É uma outra vida”, conta.

Não foi a primeira tentativa de tirar o cigarro da rotina. Porém, não bastava querer. Ela avalia que o resultado positivo foi a combinação do atendimento médico, o uso de medicamentos receitados e as conversas com os profissionais da policlínica. “Salvou a minha vida. Eu estava muito mal”.

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