Saúde pública oferece a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV como estratégia de prevenção

Medicamentos criam barreiras farmacológicas que impedem que o vírus adentre nos tecidos

Muita gente desconhece, mas além de usar preservativos durante as relações sexuais existem outras maneiras de se prevenir contra o HIV/Aids. Uma delas é a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), disponibilizada no Hospital Dia e no Hospital Universitário de Brasília (HUB), como estratégia de prevenção para parceiros das Pessoas Vivendo com HIV (PVHIV).

O infectologista e diretor científico da Sociedade de Infectologia do DF, José David Urbaez, explica que a PrEP é uma medida biomédica, que funciona como se fosse uma pílula anticoncepcional clássica. “O indivíduo toma uma combinação de dois medicamentos antirretrovirais todos os dias, para casos de exposição a uma infecção, formando uma barreira farmacológica nas mucosas retais e vaginais e essa barreira farmacológica impede que o vírus se adentre nos tecidos da pessoa suscetível ao vírus”, acrescenta ele.

De acordo com o médico, a PrEP foi inserida no Sistema Único de Saúde visando proteger indivíduos altamente vulneráveis, pois a transmissão do HIV não é homogênea, existindo pessoas com perfil psicológico, emocional, socioeconômico e conduta que os deixam mais vulneráveis.

Publicidade

Nesse caso, estão incluídos, de acordo com Urbaez, os homens que fazem sexo com homens, “que se expõem em relações sexuais anais sem proteção e a população de mulheres trans, que são pessoas vulneráveis pois têm grandes privações por conta do preconceito”. Ele considera ser interessante afunilar, no Centro de Referência, a indicação ao uso do PrEP, pois também há pessoas desses dois grupos que utilizam preservativos e se previnem corretamente.

No caso da PrEP, é necessária uma abordagem multiprofissional para identificar características da pessoa que busca a utilização e encaixá-la num grupo de maior vulnerabilidade. Se a PrEP for usada de maneira indiscriminada, o infectologista adverte, não gera impacto no controle do HIV porque se perde o foco nos mais vulneráveis e não será possível captar as pessoas que realmente se beneficiariam desta estratégia.

Urbaez explica que o uso da PrEP não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, por isso é necessário utilizar preservativo para se proteger e fazer as testagens a cada trimestre.

Em todas as 172 unidades básicas de saúde e no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), localizado na Rodoviária do Plano Piloto, são oferecidos preservativos masculinos e femininos e gel lubrificante; na maioria dos locais, são realizados exames de testagem rápida para o HIV; testes rápidos para sífilis e Hepatites virais B e C.

FONTESecretaria de Saúde do DF
Artigo anteriorSAMU recebe doação de 40 oxímetros de pulso
Próximo artigoGDF comprou 1,8 mil toneladas da produção rural do DF