Por Kleber Karpov
O contingente de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil no Brasil recuou para 1,499 milhão em 2025, o equivalente a 4% dessa faixa populacional, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua divulgados nesta sexta-feira (16/Out) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representou uma retração de 9,2% na comparação com 2024, quando o país contabilizava 1,65 milhão de pessoas nessa condição, e ampliou para 28,6% a redução registrada em relação a 2016.
Entre as causas apontadas para a redução dos índices estão o aquecimento do mercado formal de contratações e a cobertura de redes de proteção de renda básica. A renda domiciliar per capita média dos lares beneficiários do Programa Bolsa Família com crianças e adolescentes ficou em R$ 660 em 2025, enquanto a média dos domicílios sem o auxílio alcançou R$ 1.990 no mesmo intervalo.
O analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE Gustavo Fontes explicou os elementos que sustentaram a melhora no indicador nacional. “Existem políticas públicas, inclusive do próprio Ministério Público do Trabalho, voltadas para isso [lidar com o trabalho infantil]. O próprio Bolsa Família pode ter contribuído, ao garantir uma renda mínima para essas famílias, para essa queda. São vários fatores, como o mercado de trabalho aquecido. A taxa de desocupação no país tem atingido mínimos históricos. A renda domiciliar per capita em 2025 aumentou, a renda do trabalho aumentou”, disse Gustavo Fontes.
O pesquisador também ressaltou a diminuição expressiva do problema entre os beneficiários das transferências federais ao longo dos anos. “A gente vê uma redução mais acentuada no trabalho infantil entre os beneficiários do programa. Ainda que o percentual permaneça um pouco acima. Entre 2016 e 2025, o contingente de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil entre os beneficiários do programa Bolsa Família caiu 41%”, afirmou o pesquisador Gustavo Fontes.
Recortes regionais e piores formas
A pesquisa registrou que 525 mil crianças e adolescentes exerciam atividades classificadas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), que envolvem riscos severos à saúde e à segurança. A proporção desse grupo caiu para 1,4% da população de 5 a 17 anos em 2025, o menor percentual da série histórica apurada pelo instituto.
A Região Sudeste concentrou o maior volume absoluto de trabalhadores infantis, com 481 mil indivíduos, seguida pelo Nordeste, com 408 mil. Em termos proporcionais, o Norte apresentou a taxa mais elevada do território nacional, com 6,3% da população infanto-juvenil ocupada, enquanto o Sudeste anotou o menor índice relativo, com 3,3%.
Comércio e informalidade
Do total registrado em ocupação irregular, 1,141 milhão realizava atividades econômicas de mercado, enquanto 358 mil se dedicavam exclusivamente à produção voltada para o próprio consumo da família. O setor de comércio reuniu 29% das ocupações irregulares apuradas, seguido pela agricultura e pecuária com 16,7%, indústria geral com 12,5% e serviços de alojamento e alimentação com 12,2%.
A jornada semanal ultrapassou 25 horas para 36,3% dos jovens ocupados no país e alcançou 40 horas ou mais em 21,4% dos registros. No recorte etário de 16 e 17 anos, a taxa de informalidade atingiu 67%, o patamar mais baixo da série da pesquisa, sendo composta majoritariamente por empregados sem carteira assinada no setor privado e trabalhadores domésticos.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Graduado em Jornalismo (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Criador do Comitê Virtual (www.comitevirtual.com.br), plataforma de gestão de campanhas eleitorais. Criador do PubliqueAi (www.publiqueai.com), primeira plataforma brasileira de produção técnica de textos jornalísticos ou jurídicos, com uso de Inteligência Artificial; Criador do Quero Meu Carro de Volta (www.queromeucarrodevolta.com.br), lançado em 2012. Serviço de utilidade pública para vítimas de roubos e furtos de veículos em todo o país; Ex-produtor e apresentador do programa Panorama Político na Rádio Federal;

















