Secretário de Vigilância do Ministério da Saúde pede exoneração do cargo

Wanderson de Oliveira era principal nome do MS em epidemiologia

Por Kleber Karpov

Na manhã desta quarta-feira (15/Abr), o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS), Wanderson de Oliveira, pediu exoneração do cargo. A saída acontece em meio à pandemia do coronavírus (Covid-19) e em meio a crise criada pelo presidente, Jair Bolsonaro com ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que pode deixar o cargo, nos próximos dias, devido a divergências em relação ao isolamento social.

Oliveira participava das coletivas de imprensa, ao lado de Mandetta, desde que a pandemia do coronavírus chegou ao país e era um dos responsáveis por apresentar os dados e as ações do MS ao enfrentamento à Covid-19.

Especialista

Com o pedido de exoneração, o MS perde uma referência em combate a epidemias no país. Oliveira é doutor em epidemiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atua também como professor da Escola Fiocruz de Governo da Fundação Oswaldo Cruz, em Brasília, e é servidor público federal, enfermeiro epidemiologista do Hospital das Forças Armadas, do Ministério da Defesa. Tem mais de 20 anos de experiência profissional, sendo 16 anos no Ministério da Saúde, onde também atuou na coordenação da Resposta Nacional às Emergências do zika vírus, em 2015, e de H1N1, em 2009.

Crise

A frente do MS, Mandetta, além de lidar com a crise com a Covid-19, é obrigado a bater de frente com interesses por parte de Bolsonaro. Uma das divergências, relativa à própria pandemia do coronavírus, ao tentar inserir a administração de hidroxicloroquina e cloroquina, na fase inicial  – ainda nos primeiros cinco dias – de pessoas diagnosticadas positivamente, com a infecção.

Porém, embora o Ministério tenha definido o uso dos medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), os protocolos definem que aconteçam, somente em condições em que médicos avaliem como graves, os casos dos pacientes.

Os medicamentos, utilizados para tratamento de casos  de doenças a exemplo de malária e lúpus, não têm respaldo científico que comprovem a eficácia para a cura da covid-19, além de ser considerados sensíveis, para tratar pessoas infectadas com coronavírus, dados os efeitos colaterais, cardiológicos, renais, oftalmológicos e pancreáticos. Motivos esses que levam médicos e entidades a vetarem o uso da cloroquina para tratamento da doença.

Uma segunda divergência apontada por Bolsonaro, se relaciona a crise econômica. O presidente defende a flexibilização do isolamento social, quando Mandetta, por sua vez, defende que tal medida pode acelerar o colapso do sistema de saúde brasileiro.

O reflexo da crise pode ser percebido em saídas, em que Bolsonaro faz contato aberto com a população, sem tomar os devidos cuidados. Iniciativas essas questionadas, indiretamente, por Mandetta, em entrevista concedida ao Fantástico no domingo (12/Abr). O que resultou em novos rumores de possível exoneração do ministro, ainda nessa semana.

Com informações de Agência Brasil

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