Saúde mental é debatida no Distrito Federal

Durante a pandemia o atendimento aos transtornos continuou na rede pública e atualmente a procura tem sido maior

Em um cenário pós-pandemia, onde houve aumento do número de transtornos de saúde mental, a Secretaria de Saúde promove, nesta quarta (22) e quinta-feira, a 3ª Conferência Distrital de Saúde Mental. O tema central do evento é “A política de saúde mental como direito: pela defesa do cuidado em liberdade, rumo a avanços e garantia dos serviços da atenção psicossocial no SUS”.

De acordo com a diretora de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Vanessa Soublin, a conferência dá voz aos usuários, gestores e aos trabalhadores dos serviços de saúde mental e com o debate são redirecionadas as políticas públicas para a área. “No atual cenário, se faz ainda mais necessária essa discussão, pois já se espera as consequências para a saúde mental da população a médio e longo prazos, principalmente para as crianças, com aumento da procura nos serviços”, destacou.

Segundo a diretora, os serviços de saúde mental foram essenciais durante a pandemia, funcionaram o tempo todo, com algumas adaptações quando os grupos não podiam acontecer em razão das orientações sanitárias. “Bem no início até houve uma queda na procura. Mas, depois disso, percebemos um grande e constante aumento na procura, que se mantém até hoje”, informou Vanessa.

A secretária de Saúde, Lucilene Florêncio, participou da abertura do evento e destacou a importância do debate e de uma construção coletiva de deliberações, com a opinião de todos que compõem a Rede de Atenção Psicossocial.

“Estamos finalizando as tratativas para contratação de mais 10 médicos psiquiatras para atuarem nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)”, declarou. A secretária também explicou que pretende avaliar internamente médicos de família que possuem especialização, para atuarem em áreas específicas onde há maior demanda.

A gestora pontuou que os usuários dos serviços de saúde mental precisam de humanização em seu atendimento, além de cuidados com uma equipe multidisciplinar, que permita o acesso às terapias, grupos de ressocialização, terapia ocupacional, assistência social e psicológica. “Não é só indicar medicamentos para estes usuários, é tratá-los de maneira efetiva, com humanização no cuidado”, salientou.

A representante dos usuários, Luciana Claudino, afirmou que a 3ª Conferência representa um marco para todos que necessitam dos serviços de saúde mental no DF. “Fico feliz em representar todos os usuários neste evento. Dessa maneira, podemos externar todas as demandas e anseios”.

Fátima Rôla, representante do Conselho de Saúde do DF, afirmou que o compromisso do Conselho é priorizar as principais deliberações, com decisões imediatas. “Iremos correr atrás do que for definido e agilizar o que for possível”.

Números do Distrito Federal

Hoje, o Distrito Federal possui uma Rede de Atenção Psicossocial articulada para atender as demandas de saúde mental. Para situações de crises agudas, a rede de saúde oferece atendimento nas portas de urgência e emergência hospitalares, bem como os leitos de saúde mental que dão retaguarda clínica aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Hoje, há leitos de saúde mental no Hospital de Base e no Hospital São Vicente de Paulo.

A Secretaria de Saúde conta com 18 CAPS, distribuídos pelas sete Regiões de Saúde do Distrito Federal. Os centros são serviços especializados de saúde mental inseridos na comunidade e que funcionam de porta aberta, ou seja, não é necessário encaminhamento para ser acolhido neste serviço.

Em todo o ano de 2021 foram realizados 126.200 procedimentos nos CAPS. Neste ano, de janeiro até abril, foram feitos 57.728 procedimentos.

“Pacientes com sofrimentos mentais graves e persistentes, ou com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras substâncias chegam aos serviços de saúde com uma vulnerabilidade maior. É trabalho do CAPS garantir o cuidado dos casos graves e persistentes, fazendo o trabalho intersetorial necessário à melhora da qualidade de vida, saúde e efetiva reinserção social”, explicou a diretora de Saúde Mental, Vanessa Soublin.

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