Na cozinha de Rollemberg: Irmão de governador e pelo menos mais três são indiciados por associação criminosa

Por Lilian Tahan, Mirelle Pinheiro, Manoela Alcântara, Gabriella Furquin

A Polícia Civil indiciou quatro investigados no âmbito da Operação (12:26)por associação criminosa, tráfico de influência e advocacia administrativa. Entre os acusados, está o advogado Carlos Augusto Sobral Rollemberg, o Guto, um dos irmãos do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

Também foram indiciados o chefe de gabinete da Casa Civil, Guilherme Rocha de Almeida Abreu, e seu irmão Leonardo Rocha de Almeida Abreu. Os dois são filhos do desembargador aposentado Luiz Cláudio de Almeida Abreu, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).

O administrador do Lago Norte, Marcos Woortmann, foi igualmente responsabilizado pelos investigadores.

Eles são acusados de integrar um esquema que agiria no coração do Governo do DF para beneficiar interesses privados. Durante as apurações policiais, os investigadores levantaram vários focos dos supostos crimes. Entre os quais, favorecimento no acerto de contas com o Hospital Home, aumento de potencial construtivo do Shopping Iguatemi, no Lago Norte, além de ingerência na Companhia Energética de Brasília (CEB).

O relatório final do inquérito que pode conter outros indicados está em posse do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Nos próximos dias, a promotoria responsável pelo caso deve analisar se apresenta ou não denúncia com base nos indiciamentos propostos pela Polícia Civil.

A operação
No último dia 7 de agosto, os policiais da Coordenação Especial de Combate à Corrupção ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública (Cecor) deflagraram a Operação (12:26) para o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão. As diligências foram realizadas, inclusive, dentro do Palácio do Buriti. Três dias depois, o Metrópoles, revelou os alvos do inquérito, até então mantido em sigilo.

O inquérito ao qual o Metrópoles teve acesso reproduz uma série de conversas entre os investigados e interceptadas com autorização judicial. Na peça, o irmão de Rollemberg é caracterizado como “ponto focal” de diversas ingerências junto a administração pública e com alto poder de “motricidade” perante o governo, embora não exerça nenhum cargo no GDF.

No relatório, os delegados dizem que “saltam aos olhos os indícios que o acordo ilícito está assentado de forma duradoura, haja vista que há atos concretos de crimes praticados pelos investigados há aproximadamente três anos, com ocorrências destacadas em 2015, 2017 e 2018”.

Procurado pelo MetrópolesGuto Rollemberg disse que está sendo alvo de um “ardil político”. “Isso ocorreu porque o Rodrigo (Rollemberg) não deu paridade à Polícia Civil. Está havendo uma exploração política e tenho certeza de que nem o Ministério Público, nem o Judiciário vão acolher as acusações”, afirmou o advogado ao portal.

A reportagem tenta contato com os demais acusados para eles se manifestarem sobre o assunto.

Fonte: Metrópoles

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