A culpa é do rombo ou da falta de experiência administrativa? Ou das duas coisas?

Por Fred Lima

Ao fazer uma pesquisa, constatei que todos os últimos governadores que assumiram o GDF reclamaram da herança fiscal que receberam de seus antecessores. Foi assim com Cristovam Buarque, quando assumiu o GDF em 1995, onde acusou Joaquim Roriz de ter deixado “um abacaxi” para ele descascar. Já em 1998, foi a vez de Roriz devolver a reclamação e afirmar que Cristovam tinha deixado como herança um “rombo gigantesco” para ele cobrir. Em janeiro de 2007, José Roberto Arruda foi enfático ao dizer que Roriz e Maria de Lourdes Abadia tinham deixado uma grande dívida nas contas do GDF, na ordem de 480 milhões. Foi diferente com o governador Rogério Rosso em 2010? Não. A equipe do governador jogou nas costas de Roriz e Arruda uma dívida de 400 milhões de reais. E com Agnelo? Pior ainda. O então governador eleito, em dezembro de 2010, afirmou que recebia de Rosso uma “herança maldita”, fruto do descontrole de gastos públicos e ausência de recursos, segundo ele. Quando pensávamos que tal desculpa estava ultrapassada, apareceu o governador Rodrigo Rollemberg afirmando enfaticamente que assumiu uma gestão com um rombo de 3,8 bilhões – há muitas controversas quanto a este número. E querem saber? A imprensa sempre repercutiu bastante, em todos os períodos, as queixas dos governadores com relação a seus antecessores.

Muitos acusam os governantes de recorrerem sempre a tal desculpa no início de mandato para não serem obrigados a cumprir todas as promessas que fizeram durante a campanha eleitoral. Pode ser, mas não seria também um mecanismo de defesa que algumas gestões utilizam pela falta de experiência administrativa, como no caso de Rollemberg, que parece mais perdido do que cego em tiroteio? Não duvido. A diferença de todos os outros governadores para Rollemberg, é que em cinco a seis meses de mandato, já começaram a mostrar a que veio, sem ficar repetindo insistentemente a herança fiscal que receberam. O que falta no governo Rollemberg é começar a trilhar o caminho, sem colocar sua atenção maior nas pedras deixadas por aqueles que já o percorreram. Se o governador continuar parando na estrada para verificar o tamanho das pedras, não vai governar, mas só lamentar, e logo vai tropeçar em alguma pedra por ter se afeiçoado demais a elas.

Vejo que as medidas para tentar cobrir o rombo deixado por Agnelo são as mais birutas possíveis, como cogitar a demissão de concursados. Nenhum governo, repito, nenhum governo recorreu a esse método. De quem veio a ideia “genial”? Já posso até imaginar de onde partiu…

Se continuar prestando mais atenção nas pedras do que no caminho, o governo Rollemberg estará destinado ao fracasso absoluto. Se brincar será pior do que a administração Agnelo. E olha que precisa ser muito ruim para superar o petista…

Fica a dica, governador! Sou seu eleitor, mas vamos deixar de “mimimi” e começar a trabalhar.

Fonte: Blog do Fred Lima

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