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23 fev 2024 16:59


‘Hermanos, pero por conveniencia’: Em recuo, Milei envia carta e convida Lula para posse

Por Kleber Karpov

O presidente eleito da Argentina, o outsider de extrema-direita, autodeclarado ultraliberal, Javier Milei (A Liberdade Avança), recuou em relação a discursos de quebra de relacionamentos diplomáticos com países a exemplo do Brasil e da China e convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a cerimônia de posse a ser realizada, dia 10 de dezembro, em Buenos Aires, capital argentina.

Embora tenha passado todo o período da campanha eleitoral a prometer a ruptura diplomática com países considerados progressistas, e mesmo após eleito, de 55% dos votos contra o governista Sergio Massa (Unión por la Patria), ter publicamente confrontado o petista, a quem chamou de “corrupto” e “comunista”. Episódios esses, recebidos com entusiamo pelo ex-presidente do Brasil, também de extrema direita, Jair Messias Bolsonaro (PL) chegou a anunciar a ida para participar da posse de Milei.

Leia a carta na íntegra:

“Estimado sr. presidente: “Faço com que chegue esta mensagem com o objetivo de lhe transmitir o convite para se juntar a mim, no próximo dia 10 de dezembro, nos eventos que acontecerão aqui por ocasião da minha posse presidencial.

“Sei que você conhece e valoriza plenamente o que significa este momento de transição para o percurso histórico da República da Argentina, do seu povo e, naturalmente, para mim e para a equipe de colaboradores que me acompanhará na próxima gestão do governo. “Ambas as nações têm muitos desafios pela frente e estou convencido de que uma mudança econômica, social e cultural, com base nos princípios da liberdade, vão nos posicionar como países competitivos nos quais os seus cidadãos poderão desenvolver ao máximo suas capacidades e, assim, escolher o futuro que desejam.

“Ambas as nações têm muitos desafios pela frente e estou convencido de que uma mudança econômica, social e cultural, com base nos princípios da liberdade, vão nos posicionar como países competitivos nos quais os seus cidadãos poderão desenvolver ao máximo suas capacidades e, assim, escolher o futuro que desejam.

“Sabemos que os nossos dois países estão intimamente ligados pela geografia e história e, a partir disso, desejamos seguir compartilhando áreas complementares a nível de integração física, comércio e presença internacional que permitam que toda essa ação conjunta se traduza, para os 2 lados, em crescimento e prosperidade para argentinos e brasileiros. “Desejo que nosso tempo juntos como presidentes e chefes de governo seja uma etapa de trabalho frutífera e de construção de laços que consolidem o papel que Argentina e Brasil podem e devem desempenhar na comunidade internacional.

“Desejo que nosso tempo juntos como presidentes e chefes de governo seja uma etapa de trabalho frutífera e de construção de laços que consolidem o papel que Argentina e Brasil podem e devem desempenhar na comunidade internacional.

“Na esperança de encontrá-lo nesta próxima ocasião, aceite minhas saudações com estima e respeito, 

“Javier Milei”

“Erro enorme”

Porém, após manifestações recentes a exemplo do recado do governo chinês, por meio da  porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning (21/Nov), ao afirmar ser   um “erro enorme de política externa” a Argentina cortar relações diplomáticas com a China, sob o risco de repercutir na relação comercial entre os dois países. Ou ainda do Brasil, após o governo brasileiro apenas dar a entender que Lula deve se fazer representar no ato de posse de Milei.

Estranhamente os supostos párias comunistas, de um momento para outro, se tornaram grandes ‘Hermanos, pero por conveniencia’ e os ânimos, ao menos de Milei, parecem terem se acalmado.

Vale lembrar que China e Brasil, são os dois principais parceiros comerciais da Argentina. Não obstante, outras relações comerciais poderiam estar em risco, a exemplo dos blocos comerciais Mercosul, composto por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela e Bolívia.

Isso, além da possibilidade de eventualmente ingressar nos Brics, que reúne nações em desenvolvimento, como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que em ‘outros carnavais’ manifestou interesse em integrar ao bloco.

Bom senso e diplomacia

Nessa batalha que consolida o primeiro estelionato eleitoral de Milei, para o bem da sociedade argentina, se sobrepôs o bom-senso. Além é claro, da atuação diplomática entre as nações envolvidas.

Sob essa ótica, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, que recebeu o convite ao presidente Lula, das mãos da deputada argentina eleita Diana Mondino, chanceler designada por Milei, avaliou como positivo o encontro. Vieira diz que o presidente brasileiro avalia o convite.  “O que foi dito durante a campanha é uma coisa, o que acontece durante o governo é outra. Eu não sei qual será, como eu disse, se o presidente poderá ir ou não. Ele estará chegando de uma longa visita ao exterior e terá a cúpula do Mercosul no Brasil”, justificou.

 

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