SUS do DF é referência na América Latina em teste do pezinho ampliado

Semana Distrital do Teste do Pezinho começa nesta segunda-feira (06) com objetivo de aprimorar profissionais e conscientizar pais sobre a triagem neonatal

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A rede pública de Saúde no Distrito Federal é referência na América Latina em teste do pezinho ampliado. O reconhecimento ocorre, principalmente, devido à quantidade de diagnósticos feitos ainda nas maternidades e nas unidades básicas de saúde. Para aprimorar cada vez mais os profissionais de saúde e conscientizar as famílias sobre a importância do teste, a Secretaria de Saúde organiza, a partir desta segunda-feira (06), a Semana Distrital do Teste do Pezinho. Esse será o 1º Encontro multidisciplinar com pais e pacientes e segue até a sexta-feira (10).

Há mais de 10 anos, as crianças nascidas nos hospitais públicos do DF têm acesso ao teste ampliado capaz de diagnosticar patologias e assim evitar complicações, sequelas e até óbitos. Nesse tempo, foram feitos mais de 526.481 testes. Atualmente, o exame ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) identifica 47 doenças e está em processo para que ainda neste ano sejam 53.

“Enquanto no Brasil o teste só apresentava sete patologias, o laboratório do Hospital de Apoio já identificava 30”, afirma Alexandre Lyra, diretor-geral do Hospital de Apoio – unidade especializada em triagem neonatal. “Em virtude também do diagnóstico de doenças raras, que o Hospital de Apoio é referência.”

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Coleta

O biólogo e chefe do Laboratório de Triagem Neonatal da Unidade de Genética do Hospital de Apoio de Brasília (HAB), Vitor Araújo, destaca que conforme as máquinas são modernizadas a unidade também amplia as possibilidades de diagnósticos. “O teste que é ofertado na rede pública é até mais completo do que o disponível na rede privada padrão e está disponível de forma gratuita”, ressalta.

Quando uma criança nasce em uma maternidade da rede pública, a coleta do exame é no próprio hospital. No caso de nascer na rede particular, o exame pode ser feito ainda com 30 dias de vida do bebê, mas o ideal é que a coleta seja feita do 3º a 5º dia. Para isso, os pais precisam levar o recém-nascido a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que estará apta para fazer a coleta e encaminhar o material para o Hospital de Apoio.

“O sangue é coletado e enviado para o laboratório, quando é identificada alguma alteração a equipe faz uma busca ativa para falar com a família e começar o acompanhamento”, informa a Referência Técnica Distrital de Triagem Neonatal, Kallianna Gameleira.

Qualidade de vida

Esse foi o caso dos filhos da pedagoga Renata Barbosa Silva, 36 anos, que nasceram com hiperplasia adrenal congênita, doença que se não tratada pode levar a óbito ainda no primeiro mês de vida. Em 2012, o primeiro filho, Eduardo, nasceu no Hospital Regional da Asa Norte e o exame foi feito. Ao perceber a alteração, os médicos iniciaram o tratamento quando o menino tinha apenas cinco dias.

Os procedimentos precoces foram fundamentais para a sobrevivência e a qualidade de vida do menino. “Até ele completar três meses, a gente levava toda a semana para coletar novos exames”. O filho, atualmente, com nove anos continua o tratamento, com acompanhamento e medicação a cada oito horas.

Quando nasceu o segundo filho, Erich, a família já estava ciente da condição genética que o bebê poderia apresentar. Sendo assim, mesmo nascendo em hospital particular, os pais levaram o pequeno para o Hospital de Apoio, onde o teste foi feito em urgência e garantiu também o diagnóstico precoce.

“A qualidade de vida que meus filhos têm hoje é por conta do teste do pezinho. Eles fazem atividade física como qualquer outra criança, como judô, capoeira, jiu-jitsu. Estão bem na escola, o cognitivo não altera em nada. Se a gente não tivesse descoberto cedo, essa não seria a realidade deles”, avalia a mãe.

“A gente conseguiu um diagnóstico tão precoce que os meninos não foram nem internados”, diz a RTD Kallianna Gameleira, que é a médica responsável pelo acompanhamento dos dois. “O diagnóstico do pezinho é importantíssimo, é algo que muda o caminho natural da doença. Com isso a gente consegue prever uma patologia e antecipar o tratamento, reduzindo a mortalidade infantil e possíveis sequelas”, destaca.

Semana Distrital do Teste do Pezinho

A abertura da Semana Distrital do Teste do Pezinho será às 10h30 no Hospital de Apoio, com o histórico da Triagem Neonatal no DF. Ao longo da semana, ainda haverá conversa entre pais, pacientes, com a equipe multidisciplinar.

A ideia é conscientizar cada vez mais os profissionais de saúde para alertarem as famílias sobre da importância do exame e de que está disponível na rede pública. “É um método simples, eficaz e capaz de mudar a vida de uma pessoa e de uma família”, reforça a médica Kallianna.

FONTEAgência Saúde-DF
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