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18 abr 2024 04:34


Em Roma, ativistas do Greenpeace pedem que Congresso brasileiro freie a boiada

Líderes da Câmara e do Senado participam de evento pré-COP hoje, no mesmo dia em que os dados do DETER apontam para o segundo pior setembro da série histórica

Em Roma, a comitiva brasileira composta por Arthur Lira, Rodrigo Pacheco, Kátia Abreu e outros congressistas, participa hoje da Reunião Pré-COP 26 Interparlamentares. Para recepcioná-los, ativistas do Greenpeace protestaram pacificamente em frente ao Coliseu, segurando cartazes com as mensagens “Salve a Amazônia, Pare Bolsonaro!” e “Congresso Nacional: freie a boiada”. A reunião de hoje faz parte da agenda preparatória para a Conferência do Clima em Glasgow. Como parte da programação, os parlamentares terão na manhã deste sábado (9) uma audiência com o Papa Francisco no Vaticano.

“Enquanto a política antiambiental de Bolsonaro continuar sendo implementada e reforçada por projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional, a Amazônia e seus povos estarão em risco e, portanto, o clima do planeta também. Logo, não adianta tentarem vender ao mundo um falso esforço em preservar nossas florestas e contribuir para conter a crise climática, quando aqui estão favorecendo a destruição ambiental”, declara Thaís Bannwart, porta-voz de Políticas Públicas do Greenpeace.

Veja as fotos do protesto aqui

Recentemente o Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, tem participado de uma série de eventos reforçando que o Brasil terá “uma grande estrutura na COP 26” para mostrar suas ações de sustentabilidade. Enquanto isso, dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, confirmam que a Amazônia permanece sob um nível alarmante de destruição. Os dados (área com alertas de desmatamento) de setembro apontaram para uma área desmatada de 985 Km2, é o segundo pior setembro da série histórica do Deter-B, sendo os três piores no governo Bolsonaro. Na média, houve um aumento de 85% nos três anos de governo Bolsonaro (2019, 2020 e 2021) em comparação aos três anos anteriores (2018, 2017, 2016).

Em 2021, com a eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP/AL) e Rodrigo Pacheco (DM/MG), Bolsonaro encontrou no Congresso Nacional a porteira aberta para passar a boiada e avançar com a desregulamentação da legislação ambiental. Dentre as principais ameaças, tramitam os PLs da grilagem (2633/2020 e 510/2021), e o da flexibilização do Licenciamento Ambiental (3729/2004) no Senado Federal, após aprovação vergonhosa na Câmara, na qual a bancada ruralista e governista pressiona pela aprovação do pacote do veneno (2699/2002) e de PLs que ameaçam os povos indígenas (490/2007 e 191/2020).

“É extremamente importante que os líderes considerem o histórico desastroso com meio ambiente desses quase três anos de governo e não comprem discursos vazios ou falsas soluções para conter o desmatamento. Lira já mostrou seu desprezo pela sociedade e vem passando a boiada. Mas esperamos que Pacheco se inspire nas mensagens que o Papa Francisco tem passado e se posicione a favor da vida, do meio ambiente e dos povos originários, e impeça a aprovação desses projetos de lei desastrosos”, completa Bannwart.

Nesse sábado, a comitiva brasileira será recebida em audiência com o Papa Francisco, no Vaticano. Na ocasião, o Papa deve reforçar a mensagem que passou essa semana aos líderes religiosos, de que a COP 26 em Glasgow deve ser um espaço de proposição de ações concretas para o combate às mudanças climáticas, que passam “pela solução da crise ecológica e de valores que vivemos”, disse.

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