Com falta de insumos, Hospital de Base suspende cirurgias eletivas

Hospital enfrenta desabastecimento de itens para a esterilização dos equipamentos cirúrgicos além de produtos para a preparação de pacientes

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Por Francisco Dutra

Desde de 1º de novembro, cirurgias eletivas têm sido suspensas no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), por falta de insumos para a esterilização dos equipamentos cirúrgicos e produtos para a preparação de pacientes para as cirurgias, a exemplo de relaxante muscular. Oficialmente, pelo menos 23 procedimentos foram suspensos.

Segundo funcionários da unidade, o HBDF enfrenta, por exemplo, a falta de manta para esterilizar os equipamentos, escovas para o higienização das mãos dos cirurgiões, além de outros itens. “Desde de segunda-feira (1º/11), foram suspensas todas as eletivas. Só estão entrando as de emergência, em que o paciente corre risco de morte”, contou uma profissional de saúde.

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“A gente fica com dó dos pacientes. Vemos o sofrimento deles. Muitos correm o risco de morrer. E ficamos com medo de perder os nossos empregos. O Base não está conseguindo comprar insumos básicos. Será que vai ter dinheiro para manter as equipes?”, questionou a profissional, que pediu para ter o nome preservado.

Segundo a presidente do Conselho de Saúde do DF, Jeovânia Rodrigues, há algum tempo o maior hospital de Brasília enfrenta a redução das cirurgias eletivas. “Tem sido uma situação muito preocupante e recorrente esse desabastecimento no Hospital de Base. Porque já se tornou um problema crônico e, ao que parece, sem solução aparente no curto prazo”, ponderou.

Base suspende cirurgias:

“O estoque limitado de mantas compromete cirurgias eletivas, pela necessidade de priorização das cirurgias de emergência, mas também são observados desabastecimento em um número muito elevado de itens farmacológicos e até mesmo de insumos básicos”, ressaltou.

Para Rodrigues, o episódio reforça a necessidade de revisão do modelo de administração aplicado pelo Instituto de Gestão Estratégia de Saúde do DF (Iges-DF), responsável pelo Base. “É preciso repassar esse modelo de gestão adotado, que não entregou o prometido ao longo desses quase 4 anos, pelo contrário, acumula dívidas milionárias”, concluiu.

O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) também se manifestou a respeito das suspensões. Além de não ter sido comunicado oficialmente, o CRM-DF demostrou preocupação e informou que “uma equipe do Departamento de Fiscalização do conselho será encaminhada à unidade de saúde” com o intuito de verificar a situação do HBDF.

“O Conselho ressalta preocupação com a suspensão de cirurgias eletivas, principalmente em pacientes que estão aguardando, há muito tempo, esse tipo de procedimento. podendo assim, ter complicações na saúde dos pacientes e atrasando tratamentos que melhorariam a qualidade de vida e os curariam.”

Outro lado

Segundo o Iges-DF, a redução de alguns insumos nos estoques prejudicou a realização de algumas cirurgias eletivas no Hospital de Base. “Assim, entre os dias 1º e 5 de novembro de 2021, foram suspensas apenas 23 cirurgias”, destacou a instituição em nota enviada ao Metrópoles.

“Tão logo sejam normalizados os estoques dos insumos que estão temporariamente em falta, as cirurgias eletivas suspensas serão priorizadas e realizadas”, destacou o instituto.

O Iges-DF ressaltou que montou uma força-tarefa para examinar todos os contratos em vigor com os fornecedores. O objetivo é identificar e corrigir eventuais irregularidades para que, “num futuro muito próximo”, seja plenamente normalizado o abastecimento de medicamentos e outros insumos.

Por outro lado, de acordo com a nota, o Base realizou no mesmo período procedimentos cirúrgicos em 12 especialidades:

1. Cirurgia Cardíaca
2. Cirurgia Vascular
3. Cirurgia Geral
4. Cirurgia Oncológica
5. Cirurgia em regime de urgência/emergência
6. Mastologia,
7. Neurocirurgia
8. Otorrinolaringologia
9. Oftalmologia,
10. Ortopedia,
11. Proctologia e
12. Urologia

 

FONTEMetrópoles
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