Hospital de Apoio tem surto da Covid-19, diz Secretaria de Saúde do DF

Segundo a pasta, 26 servidores e 10 pacientes foram diagnosticados com a doença. Lacen analisa se o surto é consequência da variante Delta

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O Hospital de Apoio de Brasília (HAB) passa por um surto da Covid-19. A Secretaria de Saúde confirmou que 26 servidores da unidade e 10 pacientes foram diagnosticados com a doença. Colaboradores do hospital ouvidos pelo Metrópoles acreditam se tratar da variante Delta, mais transmissível. No sábado (24/7), memorando interno da pasta sugeriu que o surto no HAB é causado pela variante.

Segundo uma servidora e a esposa de um servidor que está internado, os casos da Covid-19 explodiram na unidade, atingindo o pessoal de várias alas desde segunda-feira (19/7). “Meu marido está internado em estado grave, [estão contaminados] técnicos de enfermagem, gente da cozinha, da segurança, da limpeza”, afirmou.

De acordo com a servidora, a unidade de saúde praticamente fechou na sexta e vários funcionários e pacientes foram mandados para casa. Ainda segundo ela, também na sexta-feira, a Vigilância Sanitária esteve no local para realizar uma desinfecção, informação confirmada pela Secretaria de Saúde.

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Procurada para comentar as alegações, a Secretaria de Saúde confirmou a alta na quantidade de colaboradores contaminados e detalhou que faz a testagem dos demais funcionários. Questionada se a situação foi causada pela variante Delta, a pasta destacou que amostras de sangue foram levadas ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), onde será feito o sequenciamento genético para identificação.

Na noite deste domingo (25/7), a direção do HAB divulgou nota sobre o assunto. No texto, o gestor da unidade informa que já foram confirmados 28 casos, sendo que um terminou em morte e um evoluiu para a forma grave, com necessidade de intubação. De acordo com a nota, foram adotadas medidas para conter o surto, como a suspensão de novas internações por 7 dias (veja o texto ao fim da matéria).

Variante Delta

Na quarta-feira (21), o Governo do Distrito Federal (GDF) confirmou a cepa de coronavírus detectada na Índia em seis habitantes de Brasília. De acordo com a servidora ouvida pela reportagem, um paciente que teve a variante Delta chegou à unidade em 16 de julho, mas o resultado positivo saiu na segunda-feira. “Desde então, praticamente todos os servidores que tiveram contato foram fazer a testagem”, contou a colaboradora.

Ela também afirma que o paciente foi atendido em outra unidade antes de chegar ao Hospital de Apoio. Depois, ele teria sido transferido para o Hospital Regional do Paranoá e, agora, segui para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Além dos seis casos confirmados, a Secretaria de Saúde monitora quatro pessoas que tiveram contato com os infectados para saber se houve infecção e se a cepa adquirida é a Delta. Caso confirmado, caracteriza-se transmissão comunitária.

Estudos recentes indicam que a variante Delta do novo coronavírus, originária da Índia, é a mais contagiosa entre todas as cepas sequenciadas. Segundo pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS), essa mutação tem transmissibilidade 97% maior do que a cepa original do coronavírus, que teve origem na China.

A variante Delta está presente em mais de 96 países, é predominante em alguns deles e preocupa a OMS. A estimativa da entidade é de que a variante prevaleça em todo o mundo em alguns meses.

Neste sábado (24), a Subsecretaria de Vigilância à Saúde enviou memorando interno alertando para o risco da disseminação da variante Delta no DF. O documento cita o caso dos servidores infectados no Hospital de Apoio.

“Considerando o padrão atípico de transmissibilidade dos casos da Covid-19 entre servidores e pacientes do Hospital de Apoio de Brasília (HAB) e que as unidades de saúde estão interligadas, uma vez que um mesmo servidor pode atuar em unidades distintas e os pacientes podem ser atendidos em rede pública e/ou particular […]”, ressalta o memorando.

O texto reforça uso correto dos equipamentos de proteção, distanciamento social, medidas de controle de ambientes e vigilância para o caso de que ocorram novos surtos.

Veja a nota da direção do Hospital de Apoio:

“A direção do Hospital de Apoio de Brasília vem a público informar que a unidade de saúde está passando por um surto de COVID-19 de origem externa.
Foram tomadas as seguintes medidas para garantir a saúde dos pacientes, servidores, terceirizados, residente e estudantes:
Suspensão de novas internações por 7 dias e restrições de visitas;
Remoção dos pacientes confirmados para leitos COVID da rede de saúde da SES;
Isolamento dos pacientes e acompanhantes contactantes;
Isolamento domiciliar dos servidores positivos com acompanhamento pelo serviço de tele atendimento;
Isolamento domiciliar dos terceirizados positivos;
Testagem em massa dos servidores, terceirizados, residentes e estudantes contactantes;
Alta temporária dos pacientes assintomáticos que tinham condição clínica com orientações, medicações e suprimentos médicos;
Reunião de urgência com Grupo Executivo de enfrentamento ao COVID-19 do HAB para deliberação de novas medidas que necessitem ser tomadas, como restrição da quantidade de profissionais na copas e reforço sobre as medidas de proteção e distanciamento além de estar providenciando a limpeza terminal das alas;
Ao todo foram 28 casos confirmados até o momento, sendo que um caso evoluiu para óbito e um caso teve evolução para a forma grave com necessidade de intubação.
Ao todo foram coletados 75 exames de RT-PCR no período de 24 horas.
Prezamos pelo restabelecimento de todos os infectados e esperamos voltar ao atendimento normal de internação o mais breve possível.”
FONTEMetrópoles
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