Atendimentos para transtornos alimentares no Hospital de Base aumentam na pandemia

Com a maior procura pelo serviço, unidade estendeu horário de atendimento e dobrou a quantidade de pacientes acolhidos

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Por Thais Umbelino

O número de pacientes procurando por atendimento no Ambulatório Multidisciplinar para Transtorno Alimentares no Hospital de Base (HB) cresceu durante a pandemia da covid-19. Responsável pelo tratamento de distúrbios como anorexia, bulimia e compulsão alimentar, a unidade precisou estender o atendimento, possibilitando dobrar de 32 pacientes para 64 atendidos em média por mês.

Para isso, o serviço que funcionava apenas no turno vespertino, das 13h às 19h, passou a ser das 7h às 19h. “Em 2020 houve um aumento significativo de pacientes em busca do serviço, ano em que foi iniciada a pandemia e a demanda cresceu”, relatou a psiquiatra responsável pelo ambulatório, Renata Rainha.

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Serviço exclusivo do HB

Renata Rainha, psiquiatra, responsável pelo ambulatório psiquiátrico HBDF- Foto: Davidyson Damasceno/IGESDF

Ambulatório Multidisciplinar para Transtorno Alimentares foi fundado em dezembro de 2019, com objetivo de tratar a maneira com que as pessoas relacionam-se a comida e o que elas buscam nos alimentos.

Administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), o HB é a única unidade pública da capital a disponibilizar o tratamento completo, com três especialidades diferentes: psicologia, nutrição e psiquiatria. Entre as comorbidades atendidas estão a compulsão alimentar e restrições severas como anorexia.

“Nosso foco não é fazer o paciente perder ou ganhar peso. É ajudá-lo a ter uma relação saudável com os alimentos”, destacou Renata. O tratamento não tem um prazo específico para finalizar, mas os primeiros resultados são obtidos nos dois primeiros meses e a melhora consistente ocorre ao longo de um ano de terapia.

Atuam junto com Renta, a nutricionista Isabel Aiza e a psicóloga Helluane Peters. “Esse trabalho só é possível graças a nossa equipe multidisciplinar”, acrescenta a psiquiatra. Para ter acesso ao serviço, é necessário ter encaminhamento médico de outras unidades de saúde. Ao fazer a consulta, os profissionais fazem uma avaliação para verificar se o paciente preenche os requisitos para ter acesso ao serviço.

Tipos de transtornos alimentares

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), distúrbios alimentares atingem 4,7% dos brasileiros. Esses transtornos se definem por padrões de comportamento que afetam negativamente a saúde física e mental das pessoas. Os mais comuns são anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar.

A anorexia é caracterizada pela baixa ingestão calórica, a partir da busca excessiva pela perda de peso corporal. São comuns o medo de engordar e as perturbações quanto ao peso e à forma do corpo.

A bulimia é diagnosticada quando uma pessoa come exageradamente e tem um sentimento de perda de controle sobre a alimentação, com episódios de vômitos ou uso de laxantes.

A compulsão alimentar também costuma ser acompanhada de uma sensação de falta de controle, com ingestões exageradas de comida e sentimentos de aversão, depressão ou culpa. Alguns comportamentos são recorrentes nesses quadros, como roubar ou acumular comida em lugares estranhos e a realização de rituais para as sessões de compulsão.

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