Hospital de Base inaugura Central de Manipulação de Quimioterápicos

No local reformado pelo IGESDF, será feita a preparação de medicamentos, principalmente para pacientes oncológicos

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Por Ailane Silva e Thais Umbelino

Com uma estrutura completamente reformada, a Central de Manipulação de Quimioterápicos do Hospital de Base (HB) foi inaugurada nesta quarta-feira (5). A expectativa é de que mais de 170 preparações de quimioterápicos sejam feitas diariamente, ampliando de 80 para até 100 pacientes ambulatoriais atendidos por dia.

Atualmente, dos 80 pacientes atendidos diariamente no Ambulatório, 55 são da oncologia e 25 da hematologia. Há, ainda, demandas de pacientes internados de outras especialidades como reumatologia, transplantados e imunocomprometidos, que são aqueles cujos mecanismos de defesa contra infecção estão rebaixados.

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“O funcionamento dessa estrutura é uma grande conquista para o Hospital de Base (HB), porque a partir de agora teremos condições de acelerar o tratamento de quimioterapia dos pacientes atendidos aqui, que terão melhores condições e melhor esperança de vida. Tenho certeza de que estamos no caminho certo. Agradeço pelo esforço e apoio de cada um que contribuiu para essa entrega”, ressaltou o diretor-presidente do IGESDF, Gilberto Occhi, durante visita ao local.

A central funcionará diariamente, das 7h às 19h e, além dos pacientes do Base, também atenderá o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). “Com a reincorporação desse serviço, a expectativa é, em até seis meses, zerar a fila de pacientes regulados pela Secretaria de Saúde para o HB que já passaram pela primeira consulta e que chegam ao Base e recebem indicação para fazer a quimioterapia”, ressaltou o superintendente do HB, Paulo Cortez.

O chefe da Oncologia, Daniel Girad, explicou que esses pacientes hoje aguardam até duas semanas para iniciar a quimioterapia após a consulta. “Agora, vamos conseguir atender os pacientes com muito mais qualidade de vida. Quanto mais rápido o tratamento, mais chances de se obter o melhor resultado”, comemorou.

O diretor de Atenção à Saúde do IGESDF, Jair Tabchoury Filho, ressaltou que diversas estratégias estão sendo traçadas para melhorar o atendimento dos pacientes oncológicos. “Estamos em busca de modernizar os equipamentos e serviços. Nosso objetivo é substituir o aparelhos, como os tomógrafos, e colocar em funcionamento o PET-CT, que ajuda no diagnóstico e acompanhamento do câncer”.

Durante o período de reforma, o preparo dos medicamentos quimioterápicos era realizado na Farmácia do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), garantindo a manutenção da assistência aos pacientes oncológicos ambulatoriais e internados no Hospital de Base.

“A Central de Manipulação no HB é um sonho que vai permitir a ampliação do número de atendimentos e proporcionar aos pacientes um cuidado imediato e de qualidade”, declara a farmacêutica Juliana Ribeiro, responsável pelo espaço.

Os cinco farmacêuticos e cinco técnicos de farmácia que atuam na Central do HB passaram por uma série de treinamentos desde novembro do ano passado. O objetivo foi garantir o manuseio de medicamentos quimioterápicos corretos, devido à nocividade das substâncias utilizadas.

“Parte da equipe ficou no HRT para auxiliar na demanda do Hospital de Base e a outra parte se manteve no Hospital para definição de fluxos e implementação do sistema”, explicou Juliana.

Infraestrutura

A Central de Manipulação de Quimioterápicos é composta por uma área administrativa com três câmaras de conservação de medicamentos refrigerados; uma área de higienização e uma área de manipulação, com duas cabines de segurança biológica, as capelas, onde são preparadas as bolsas de medicamentos, individualizada para cada pessoa.

O fluxo de circulação de pessoas é realizado por meio de portas com travamento automático, onde não é possível abrir duas portas ao mesmo tempo. Da mesma forma, para passagem de medicamentos entre as salas foi instalado três cabines de passagem, que possuem o mesmo mecanismo de travamento entre portas.

As cabines de passagem são usadas para deslocamento dos materiais que serão usados para a manipulação das substâncias da sala administrativa para a de higienização. Eles depois são transferidos para a área de manipulação, por meio de outra cabine localizada entre as duas salas.

Para acessar o ambiente onde os quimioterápicos são de fato manipulados, é preciso passar por uma das duas sala de paramentação, onde há equipamentos como lava-olhos e chuveiro de emergência. Isso é necessário, pois o tipo de medicamento manipulado oferece riscos em caso de contato direto.

No espaço, os profissionais de saúde colocam os equipamentos de proteção individual (EPIs), tais como o uso luvas, macacão impermeável, máscara de proteção para agentes químicos, e demais EPIs que vão garantir a segurança dos profissionais e evitar contaminação dos remédios.

Na área de manipulação, há duas cabines de segurança biológica Classe II B2, onde ocorre a manipulação, conhecidas popularmente de capelas. Esses compartimentos oferecem proteção tanto para o manipulador e garantem que a medicação manipulada não seja contaminada. Quando prontas, as medicações retornam à sala administrativa, onde são entregues para o setor demandante.

Seguindo o fluxo correto, foi assim que a primeira bolsa de quimioterapia chegou para Hidelbrando Pereira Bento, de 67 anos, paciente da hematologia que trata leucemia, após a primeira manipulação que foi realizada na segunda-feira (3).

A emoção ao descobrir sobre o retorno do serviço no HB ficou estampada nos olhos do aposentado. “Para mim é um motivo de orgulho estar inaugurando a primeira bolsa manipulada neste hospital, que é tão maravilhoso para mim e me recebeu tão bem”, declarou emocionado.

O paciente deu entrada no HB em 23 de abril deste ano. Veio de Jataí (GO), encaminhado para receber tratamento na unidade, que é referência para pacientes hematológicos (com doenças que acometem o sangue). “Eu só tenho a agradecer por estar recebendo o melhor tratamento e ver o carinho e a dedicação dos profissionais”, declarou Hildebrando.

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