Pesquisadora da USP afirma em audiência que o Governo Federal agiu para disseminar o coronavírus

A cientista política Rosana Reis afirmou que o País apostou na “imunização de rebanho” que, segundo ela, foi uma estratégia “totalmente insustentável” e que “custou muitas vidas"

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Por Mario Espinheira

A pesquisadora da USP Rossana Reis, co-coordenadora de pesquisa com mais de 3 mil normas editadas pelo Governo Federal na pandemia, afirmou que o Brasil adotou uma estratégia de “propagação intencional do coronavírus”. Professora de Ciência Política, ela participou, nesta quinta-feira (29), da audiência pública remota da Comissão Especial da Vacinação e da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Legislativa. “Esse levantamento intensivo, com muitos dados, mostrou que o governo não apenas se omitiu, mas agiu propositalmente para propagar a doença”. O objetivo seria atingir a “imunização de rebanho” que, segundo ela, foi uma estratégia “totalmente insustentável” e que “custou muitas vidas”.

Além do “negacionismo”, do incentivo ao descumprimento das normas de controle, como uso de máscaras, bem como a defesa de medicamentos que “não têm eficácia e ainda fazem mal a saúde”, Rossana apontou que houve uma “atuação proativa contra a vacina”. Ela frisou que o Brasil conta com uma das melhores estruturas para vacinação em massa do mundo, mas que recusou comprar imunizantes “quando estavam disponíveis”, e “hesitou” em participar do consórcio Coronavax. “O presidente [da República] não perdeu a oportunidade de desacreditar a vacinação, dizer que a gente corria o risco de virar jacaré, que a vacina é perigosa”, frisou

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A falta de controle da pandemia pode também resultar no aparecimento de novas variantes do coronavírus, segundo a professora. “O Brasil é considerado uma ameaça sanitária devido à liberdade com que o vírus está circulando aqui dentro, o que pode gerar cepas com características imprevisíveis”, alertou. A pesquisa “Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das normas jurídicas de resposta à Covid-19 no Brasil” é elaborada pela Conectas Direitos Humanos e pelo Centro de Pesquisas e Estudos sobre Direito Sanitário da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Terceira onda

A audiência contou com a participação da presidente do Conselho de Saúde do DF e representante do Coletivo Ação Covid no DF, Jeovânia Rodrigues Silva. Ela demonstrou preocupação com o ritmo da vacinação, apontando para a possibilidade de uma terceira onda. Ela explicou que há uma tendência de alta em outros países, dando como exemplo os Estados Unidos, onde a imunização é um das mais avançadas no mundo. “É um sinal de preocupação para nos prepararmos. Bom planejamento é sinônimo de salvar muitas vidas”, afirmou.

Presidente das duas comissões que promoveram a audiência, o deputado Fábio Félix (Psol) considerou que, com base na “velocidade que estamos imunizando” é “quase certo” que haverá uma terceira onda no país. “Com novas variantes, pode ser muita mais rápida do que a gente imagina”, destacou. Ele defendeu um “plano de ativação rápido dos leitos de UTI”; foco na Atenção Primária para testagem em massa e mapeamento do vírus; medidas restritivas; bem como um auxílio emergencial para micro e pequenos empresários. “Não podemos entrar na terceira onda como entramos na segunda, sem tomar as medidas necessárias”.

Jeovânia Silva defendeu uma “grande articulação internacional, nacional e entre os Estados para se evitar que uma possível nova onda seja tão grave como a atual. Ela destacou a importância do SUS, “que atende sete em cada dez brasileiros”, e a necessidade de não se descuidar das outras doenças. Rossana Reis também ressaltou a necessidade de “união entre os entes federativos” na implantação de medidas efetivas de combate ao coronavírus. “A gente precisa mudar a estratégia para salvar vidas e a economia, não são coisas opostas”, afirmou.

O deputado João Cardoso (Avante) agradeceu as explanações das convidadas e reiterou a necessidade de incluir os rodoviários entre os públicos prioritário da vacinação no DF. “Um dos vetores que mais dissemina os vírus é o ônibus. Que o Governo do Distrito Federal possa cumprir com esse protocolo de proteger nossos colegas”, afirmou.

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