Após ser vacinado contra a Covid, comandante-geral da PMDF é exonerado

O coronel Julian Rocha Pontes, de 47 anos, e outros integrantes do alto-comando da Polícia Militar do DF foram vacinados na "xepa"

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Por Isadora Teixeira

Horas após o Metrópoles revelar a vacinação de oficiais antes de policiais da linha de frente, o comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Julian Rocha Pontes (foto em destaque), 47 anos, foi exonerado do cargo. A demissão foi publicada na tarde desta sexta-feira (2/4), em edição extra do Diário Oficial do DF (DODF).

A saída do coronel Pontes já era esperada, em função da troca no comando da Secretaria de Segurança Pública do DF, mas acabou acelerada depois da revelação da vacinação dele e de outros comandantes – que gerou manifestações de repúdio na Câmara Legislativa (CLDF) e dentro da própria corporação. No início desta semana, Anderson Torres deixou a pasta para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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Integrantes de alta patente da PMDF, incluindo o comandante-geral, receberam a vacina contra a Covid-19 – antes que, pelo menos, 8 mil praças da corporação pudessem ser imunizados. Esses oficiais aproveitaram uma mudança recente nas regras de utilização das doses remanescentes de vacinas, chamadas de “xepa”, para ter prioridade na campanha de imunização.

Na tarde de quarta-feira (31/3), o comandante-geral da PMDF, coronel Julian Rocha Pontes, de 47 anos, tomou uma dose da vacina na UBS 1 da Asa Sul. Ao ser questionado pelo Metrópoles, o Centro de Comunicação Social da PM confirmou a informação e acrescentou que “outros policiais militares” foram imunizados, de acordo com a circular vigente da Saúde do DF, que passou a valer na segunda-feira (29/3).

A comunicação da PM, no entanto, não especificou quem foram os outros policiais vacinados. Mas a reportagem do Metrópoles apurou que, além de Pontes, os seguintes integrantes do alto-comando receberam o imunizante:

o subcomandante-geral, coronel Cláudio Fernando Condi, 47 anos; e
o subcomandante operacional do 2º Comando de Policiamento Regional, tenente-coronel Eduardo Condi, 48 anos.
Repercussão

Líder do governo na CLDF e policial militar da reserva, o deputado distrital Hermeto (MDB) emitiu uma nota em que se diz “revoltado” com o caso: “Quem está morrendo, em sua maioria, não são os oficiais do alto-comando, são os praças que estão na ponta. Faltou bom senso”.

“Espero que tenhamos mais vacinas para os policiais militares e que nossos comandantes tenham mais senso em relação ao momento. O governo também repudia a falta de sensibilidade praticada por esses oficiais. Não é hora de desespero e individualismo. É hora de nos unirmos e salvarmos a tropa. A polícia está sendo chacinada pela Covid-19”, afirma Hermeto.

Bombeiro militar da reserva e presidente da Comissão de Segurança da CLDF, o deputado distrital Roosevelt Vilela (PSB) divulgou um vídeo em que fala que o comandante-geral furou a fila da vacinação e pede a exoneração dele.

“Isso não vai ficar em branco. Estaremos acionando o artigo 101, A, da Lei Orgânica do DF, que prevê, por meio da Câmara Legislativa, o afastamento imediato dos gestores que atentem contra a coisa pública. Estaremos, também, representando, no Ministério Público, uma queixa-crime, e exigiremos que a Corregedoria da Polícia Militar abra conselho de justificação contra esses oficiais”, declara Roosevelt Vilela.

Em transmissão ao vivo no Facebook, o deputado distrital Chico Vigilante (PT) defende que os 8 mil praças que estão na rua, fazendo a segurança da população, devem ter a prioridade. “Isso é uma vergonha. É a desmoralização completa do plano de vacinação do Distrito Federal”, diz.

Sobre a vacinação do comandante e de outros oficiais, leia, na íntegra, o que disse a PMDF:

“A Polícia Militar informa que não só o comandante-geral, como outros policiais militares, desde a data de ontem [quarta-feira], respaldados na Circular 67 da Secretaria de Saúde, estão sendo vacinados com as doses remanescentes. Importante registrar que a vacinação ocorre após as 17h, com total observância dos critérios e normas inerentes à situação. Ademais, cabe registrar que, dentre os policiais militares que se vacinaram, o comandante-geral era um dos mais velhos. Por fim, registra-se que quaisquer dúvidas poderão ser sanadas junto à Subsecretária de Atenção Integral à Saúde da Secretaria de Saúde.”

Esta matéria foi atualizada às 13h45 e o nome do chefe do Estado Maior da PMDF foi retirado da relação inicial de oficiais vacinados com a xepa. Ele alegou estar com suspeita de Covid-19, afastado das funções e, portanto, inapto clinicamente para receber o imunizante.

FONTEMetrópoles
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