Após sete meses de pandemia, Brasília começa a acompanhar pacientes com sequelas da covid-19

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A pandemia da covid-19 está em queda no Distrito Federal. De acordo com o pneumologista Paulo Feitosa, uma diminuição no número de tomografias, de pacientes internados, de atendimento diário e de mortalidade, indicam esta queda. Porém ela não é na velocidade desejada.

“Quanto mais tempo leva o distanciamento social, mais difícil fica para a população segui-lo da forma necessária. As pessoas se cansam, ficam estressadas e aí começam a banalizar a doença. Por isso, a velocidade da queda acaba acontecendo de forma mais lenta. Mas existe sim, uma queda da doença na cidade, que é lenta, mas acontece de forma importante”, explicou o pneumologista que é chefe da Unidade de Pneumologia e coordenador do ambulatório de egressos da Covid-19 do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), hospital referência no combate a pandemia do novo coronavírus no Distrito Federal.

Ambulatório egresso, é um espaço dentro do hospital dedicado a acompanhar pacientes curados, mas que estão apresentando sequelas pós covid-19. Ele tem recebido pacientes que tiveram a doença nas formas moderada a grave e agora estão tendo complicações como fadiga, falta de ar, dor de cabeça e fibrose pulmonar, a mais grave delas e que se instala de forma permanente no organismo. A fibrose pulmonar é uma doença que se caracteriza por cicatrizes nos pulmões. Ela causa um endurecimento e redução do tamanho dos pulmões progressivamente, diminuindo a captação de oxigênio e causando falta de ar.

“Alguns pacientes já entendemos que tem uma recuperação que encosta perto da normalidade e outros permanecem com sequelas e por isso são encaminhados para fisioterapia respiratória e outros tipos de acompanhamento. Temos pacientes que reclamam de cansaço excessivo e fadiga, que são padrões que podem durar apenas por um certo tempo. Mas há também pacientes que tinham asma leve, e após a covid notou que a doença evoluiu para uma forma mais grave, com a função pulmonar mostrando que a asma está em atividade. E há uma parcela desses pacientes que tem apresentado fibrose pulmonar, essa pode ser a sequela mais frequente da covid-19”, explicou o coordenador do ambulatório de egressos do Hran.