Covid-19: Apesar dos pesares, o momento é de extrema cautela

Com casos crescentes de Covid-19 no DF, medidas de distanciamento social e higienização podem fazer diferença entre se manter vivo ou correr risco de morrer

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Por Kleber Karpov

Desde a quinta-feira (13/Ago), o DF perdeu 295 pessoas, ocasião em que saltou de 1.905 para 2.200 óbitos de vítimas da pandemia do coronavírus (Covid-19). Desses, Política Distrital (PD), por ter como principais segmentações a cobertura da política e da saúde do DF, acompanhou de perto, a partida de amigos e colegas, que sucumbirem ao Covid-19. E o mais grave, o vírus continua a mandar um recado claro: não importa a idade, a cor, o credo ou a profissão, todos estão suscetíveis.

Sob esse prisma, na Saúde, o DF perdeu três guerreiros que atuavam na linha de frente, no combate ao coronavírus perderam a vida para a Covid-19. A primeira foi a técnica em enfermagem, Layla Monnise Dias Barros, 28 anos, lotada na radiologia do hospital DF Star que na terça-feira (18/Ago), veio a óbito. No dia seguinte (19/Ago), a enfermeira do Hospital Regional de Samambaia (HRSAM), Lucia Helena Pires Vaz, que atuava no Pronto-Socorro da unidade, na linha de frente, no combate ao coronavírus, também faleceu vítima da pandemia. E, na quinta-feira (20/Ago), a técnica em laboratório do Hospital das Forças Armadas (HFA), Sandra Borges Guedes da Silva, também morreu contaminada pelo vírus.

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No jornalismo

Marcos Ramos, Radialista e Jornalista, vítima da Covid-19, aos 67 anos – Foto: Facebook

No DF perdeu uma das vozes mais expressivas na cobertura de esporte e política da capital do país. O jornalista Marcelo Ramos, 67 anos, carinhosamente conhecido por ‘Repórter do Povão’, editor do programa ‘O Povo e o Poder’ que cobria o Palácio do Buriti, morreu após permanecer internado por seis dias no Hospital de Ceilândia (HRC), também vítima do Covid-19.

Segurança Pública

O DF também na quinta-feira (20/Ago), contabilizou baixa, com a morte do Policial Militar da reserva, sargento Gonzaga, internado no Hospital Maria Auxiliadora, situado na Região Administrativa Gama.

Platô x Aumento de mortes

Tais mortes acontecem, em um momento em que o secretário de Estado de Saúde do DF (SES-DF), Francisco Araújo, anunciou o alcance do platô – momento em que ocorre uma estabilização do número de óbitos – na capital do país.

Porém, a média móvel de óbitos no DF, registrados na quinta-feira (20/Ago), apontou um aumento de 22%, se comparado a medição de duas semanas atrás (6/Ago). Parâmetro esse, definido por especialistas, com base no tempo de incubação do coronavírus – de 14 dias –, de modo a referenciar se houve avanço ou estabilidade no número de mortes ou casos confirmados. A variação de 15 pontos percentuais, estabelece tal referencial.

Nesse contexto, a comparação da média móvel, comparado nas duas datas, ficou 7% acima dos 15% que deveria indicar uma estabilização do número de óbitos.

Sargento Gonzaga, reserva da PMDF – Foto: Divulgação

Metodologia

Araújo também chegou a implementar mudanças na contabilização do número de óbitos, no Boletim Epidemiológico do coronavírus no DF, com registro, apenas, da quantidade de mortes, do dia. Sob justificativa de deixar de alarmar a população, isso porque, segundo o secretario, tais quantitativos, eram resultantes, em muitos casos, de somas de resultados constatados de exames, de falecimentos ocorridos em dias anteriores.

Mudanças essas que divergem as opiniões, por exemplo, dos deputados na Câmara Legislativa do DF (CLDF). Para o vice-presidente C, deputado Rodrigo Delmasso (REPUBLICANOS), assim como ao presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC) da CLDF, Jorge Vianna (Podemos), os resultados evidenciam a exatidão, sobre os óbitos contabilizados. Vianna, no entanto, pondera para a necessidade de se evidenciar, além das mortes no dia, as computadas por efeito de “delay”.

“A metodologia, agora, da Secretaria de Saúde, é a mais correta, porque os dados serão divulgados com os óbitos de 24 horas. Esse delay que temos de notificações, principalmente da rede privada, é que faz com que os números não batam. Então, as mortes devem ser divulgadas com 24h. Caso não aconteça, as notificações devem dizer o dia que teve o óbito: Exemplo: nas últimas 24h tivemos 20 óbitos, e foram registrados mais 03: um do dia 15, outro 16 e um do dia 17.”, exemplificou.

Por outro lado, os deputados Arlete Sampaio (PT) e Reginaldo Veras (PDT) veem com estranheza tal alteração, ou uma forma de “fingir uma normalidade que não existe”, conforme parecer da deputada petista.

Outro crítico da nova metodologia foi presidente do Conselho Regional de Medicina do DF (CRM-DF), Farid Buitrago Sánchez. O Conselheiro cobrou transparência do gestor da SES-DF e foi enfático ao afirmar que a mudança da metodologia “pode criar uma subnotificação no número de casos de pacientes que vieram a óbito por Covid-19”.

Cautela

Com o número de óbitos em crescimento, especialistas e entidades ligadas a saúde apontam para a necessidade de se acender o sinal de alerta. Sobretudo porque o DF, retomou as atividades normais em diversos segmentos comerciais e sociais na capital do país.

Em publicação em que sugerem erros de gestão, em relação ao coronavírus (Veja Aqui), o Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF) observa que o DF “ocupa o 3º lugar na lista de infectados por Covid-19 proporcionalmente e contabiliza mais mortes do que 172 países: são mais de 2 mil óbitos causados pela doença.”.

A entidade sindical aponta dados do Ministério da Saúde (MS) em que, no DF, a cada 100 pessoas, aproximadamente, quatro tiveram Covid-19, quando em São Paulo, a proporção é de um para 100. “Para cada 100 mil habitantes, são 2,1 mil casos no DF. Em números gerais, a capital do país fica atrás apenas do Amapá, com 3,6 mil infecções a cada 100 mil pessoas, e Roraima, com 3,2 mil diagnósticos a cada 100 mil: estados cuja desigualdade social chama a atenção.”.

Informações essas que podem explicar, a o reflexo de notas de pesares em sites institucionais, redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas. Ao mesmo tempo em que servem de alerta, conforme apontou Vianna, em publicação de Nota de Pesar, pela morte de Marcelo Ramos, para a necessidade de a população mantenha “as recomendações de distanciamento social e de higienização, para que consigamos vencer essa batalha contra o coronavírus.”.

Atualização: 21/08/2020 às 12h15