Covid-19: A dor perante a incredulidade de ‘profissionais’ de saúde

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Por Kleber Karpov

Na condição de jornalista, que cobre a saúde pública do Distrito Federal e do país, neste sábado (11/Jul), me deparei com um cenário triste. Após ter divulgado matéria o número de óbitos em um grupo de concursados da Enfermagem, que aguardam nomeação, recebi uma crítica, por ter feito tal divulgação.

Uma enfermeira, que aguarda nomeação na Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF),  questionou, o “jornaleco”, Política Distrital (PD) de repetir o que faz a Rede Globo, ou seja, divulgar o número de óbitos no DF e no país. O que na opinião da Enfermeira, isso representava ser um “interesse político”, por parte deste articulista. Talvez em alusão a tal divulgação ser contrária aos interesses do presidente da República Federativa do Brasil, Jair Bolsonaro, que se popularizou, perante a incredulidade e o negacionismo, em relação a pandemia do coronavírus.

Mas chamou mais a atenção a postura de outros colegas, ao dizer que não acreditava no número de óbitos, por causa de infecções por Covid-19. Posição essa, de uma pessoa, repito, prestes a ser nomeado para a função de Enfermeiro, justamente, para cobrir a falta de profissionais de saúde, uma vez que mais de 1 mil, estão afastados, seja por serem contaminados pelo coronavírus, ou por pertencerem ao grupo de risco.

Tais manifestações, ocorrem, no dia em que, em plena escalada em relação a quantidade de pessoas contaminadas com o coronavírus, em que Ceilândia, a Região Administrativa mais populosa do DF, está sob decreto de lockdown. Dia em que a capital do país, contabilizou 871 mortes de pacientes, vítimas do covid-19.

Enquanto articulista, ver um ‘Enfermeiro’, prestes a ser empossado, demonstrar incredulidade em relação a pandemia, apenas aflorou a dor de 871 famílias que perderam seus parentes e pelo desespero de outras 68.416, apenas no DF. Isso sem levar em consideração, os mais de 70 mil familiares que perderam seus parentes no país que soma, talvez por causa dos incrédulos, mais de 1,8 milhões de registros de casos positivos para o coronavírus.

Para suavizar, após deixar tal grupo de enfermeiros que aguardam nomeação na SES-DF, termino o dia, com o carinho dos demais colegas, que contataram e, em mensagens privadas, ratificaram o perigo da pandemia e o compromisso com com o cuidado das pessoas, parte essencial do juramento prestado ao receberem o título de enfermeiros.

Certamente esse ato, deixa claro que ações de extremistas, a exemplo do tal senhor Renan, que agrediu enfermeiros na Praça dos Três Poderes, há alguns meses, durante manifestação de profissionais de enfermagem em solidariedade das vítimas da pandemia do coronavírus, devem ser combatidos. Contem sempre com o jornaleco Política Distrital.

Quanto aos ‘Enfermeiros’, incrédulos, que sejam nomeados, o mais rápido possível, e tenham a oportunidade de terem um choque de realidade, e respeitem os guerreiros, que no dia-a-dia, estão na linha de frente e fazem jus ao título e a profissão que escolheram, de salvar vidas, com ou sem Covid-19.