Banco de Talentos: de vítima de violência a empreendedora no DF

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A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) comemora nesta quarta-feira (20/5) o aniversário de um ano do Projeto Banco de Talentos, idealizado para auxiliar na recuperação da autoestima, no empoderamento econômico e na independência financeira de mulheres vítimas de violência e em situação de vulnerabilidade. Ele faz parte do Pró-Vítima, da Sejus, que presta assistência social e psicológica às vítimas de violência, proporcionando a valorização da pessoa vitimada e contribuindo para o desenvolvimento social na sociedade.

O Banco de Talentos oferta cursos de formação e capacitação, assessoria para o ingresso ao mercado formal de trabalho, oficinas de aprendizagem artesanal, além da realização de feiras para comercialização de produtos. Foi criado para atender às mulheres do Pró-Vítima, depois foi estendido para aquelas em situação vulnerável e será novamente estendido a outros segmentos.

A secretária da Sejus, Marcela Passamani, informou que a ideia é incluir integrantes do grupo “Atinúké – mulheres negras e empreendedorismo”, refugiados/as, migrantes e mulheres da população LGBTI, em situação de violência ou vulnerabilidade.

O objetivo, segundo Marcela Passamani, é ampliar o alcance do programa, observando o sucesso das mulheres assistidas. “Vamos ampliar a oferta de cursos, o número de feiras em espaços públicos e privados assim que acabar esta pandemia e encaminhar essas mulheres à Secretaria do Trabalho afim de terem acesso à linhas de crédito para seus negócios”, adiantou. “A mulher vítima de violência não tem como sobreviver financeiramente e muitas vezes volta para o agressor por esse motivo. Por isso é importante dar condições para que ela possa empreender e ter de onde tirar o seu sustento”, afirmou.

A primeira feira do Projeto Banco de Talentos foi realizada em 20/05/2019, onde foram cadastradas 21 mulheres. Atualmente a assistência é prestada a 45 mulheres e, desde sua criação, já foram realizadas 10 feiras em eventos e datas diversas, inclusive no âmbito do Programa “Sejus Mais Perto do Cidadão”, que acontece nas regiões administrativas do DF.

Covid-19

Desde a edição do Decreto no GDF, estabelecendo medidas de prevenção à pandemia da Covid-19, não foi possível realizar mais feiras expositoras. No entanto, neste momento, as mulheres estão realizando cursos de capacitação e qualificação profissional on line, desenvolvidos em parceria com o SebraeDF, Senac e Senai.

Pró-Vítima

No ano passado o programa atendeu 2845 pessoas. 59.9% das vítimas são mulheres, embora atenda também outros segmentos. O ingresso ao programa pode ser feito das seguintes maneiras: espontaneamente: a vítima de violência poderá procurar e ser atendida em qualquer um dos postos do programa. Por meio de encaminhamento ao programa por alguma autoridade, pessoa da comunidade, amigos e parentes. Diretamente: de forma discricionária, o Pró-Vítima poderá entrar em contato com as vítimas de violência de casos noticiados por meio da mídia.

Mônica Pereira de Macedo, 48 anos, fica com os olhos marejados ao relembrar de sua filha, Nathália Verônica de Macedo, 26 anos, morta por seu companheiro em 2017. Desde então ela busca apoio no Pró-Vítima que, para ela, tem dado um novo sentido à sua vida. “Tive que criar meu neto, dar uma nova vida a ele, e o Pró-Vítima tem me apoiado e me dado condições de seguir adiante. Devo muito a ele”, afirmou Mônica.

Sônia Regina Ferreira dos Santos, 52, também se emociona ao falar sobre as agressões sofridas. “Não gosto nem de lembrar. O importante é olhar para frente. Graças ao Pró-Vítima criei uma nova força para seguir em frente. O importante é não olhar para trás”, aconselhou Sônia que produz bolos e doces artísticos.

Postos de atendimento Pró-Vítima – Sede: Estação Rodoferroviária, Ala Central, Térreo; Núcleo Paranoá: 5, Conjunto 3, Área Especial D, Parque de Obras, Paranoá ; Núcleo Plano Piloto: Estação 114 Sul do Metrô, Subsolo; Núcleo Ceilândia: EQNN 5/7, área especial C Ceilândia Norte; Guará: QELC Alpendre dos Jovens, Lúcio Costa, Guará.

Fonte: Ascom Sejus