Fique alerta: uso do narguilé prolifera disseminação do coronavírus

Prática aumenta transmissão da doença, que se espalha por secreções e gotículas

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O avanço do coronavírus exigiu que o Governo do Distrito Federal adotasse medidas rápidas para resguardar a população, como a suspensão do atendimento em shoppings centers, boates, casas noturnas, tabacarias e bares. Contudo, uma prática perigosa para a saúde ainda permanece ativa entre jovens e fumantes: o uso do narguilé, utilizado em grupo e de forma compartilhada, pode disseminar a contaminação pelo Covid-19.

O aparelho é um tipo de cachimbo de água, de origem oriental, destinado a fumar tabaco aromatizado. Já disseminado por todo o mundo, o objeto é constituído de um fornilho, um tubo longo, pelo qual passa a fumaça antes de chegar à boca, e um pequeno recipiente, originalmente usado para armazenar água perfumada.

“Mesmo com bares e tabacarias fechados, os jovens e fumantes ainda se reúnem em ambientes abertos para fumar o narguilé. Sem saber, eles correm o risco de se contaminarem, porque a piteira passa de boca em boca, aumentando as chances de transmissão do coronavírus e demais viroses”, alertou a gerente de Apoio à Fiscalização da Diretoria de Vigilância Sanitária (Divisa), Márcia Olivé.

Segundo a gerente, a Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde tem intensificado as fiscalizações em bares, restaurantes e tabacarias que comercializam e servem o narguilé, devido ao seu crescente uso nesses locais, principalmente pelos jovens.

“No Brasil, é proibido o uso de qualquer produto fumígeno em locais fechados ou parcialmente fechados, como tendas. De janeiro a agosto do ano passado, realizamos 66 vistorias, sendo que 34 foram autuados e 13 interditados. Além de fumar o narguilé, percebemos ainda a falta de higiene nas preparações para o uso dele”, informou Olivé.

As ações nos estabelecimentos têm continuado no Distrito Federal este ano, sendo intensificadas no período de Carnaval. Até o dia 14 de março, foram realizadas 42 ações. “Inclusive, fizemos ações conjuntas com a Polícia Militar para reduzir o uso”, completou a gerente.

Além disso, a equipe técnica do Programa de Controle de Tabagismo emitiu uma nota, orientando todos os estabelecimentos públicos, tais como cafés, bares, restaurantes e outros, sobre a responsabilidade de suspender o uso do narguilé em suas dependências.

CONTÁGIO – De acordo com a Referência Técnica Distrital (RTD) de Tabagismo, Nancilene Melo, além das fiscalizações, é necessária a colaboração da sociedade para reduzir o uso do narguilé.

Como o coronavírus é altamente contagioso e transmitido por secreções e gotículas que ficam em suspensão, incluindo as do espirro ou da tosse, o narguilé torna-se um forte meio de transmissão, já que acumula as duas coisas.

“Geralmente, o usuário do narguilé o faz em grupos, com compartilhamento da piteira. Então, além de aglomerar pessoas, ainda termina compartilhando secreções”, informou.

RECOMENDAÇÕES – Na avaliação da especialista, o mais recomendável é parar de usar a substância, inclusive de forma individual, uma vez que o Covid-19 é mais grave em fumantes.

“Tem documentação de casos na China em que a doença é mais grave em fumantes. Isso os torna um grupo de risco. Por isso, é recomendado parar não apenas o narguilé, mas todas as formas de consumo de tabaco, pois contribuem para a disseminação e fazem mal à saúde”, advertiu Nancilene Melo.

Caso a pessoa continue a utilizar a substância, a RTD orienta o isolamento social no momento de fumar, sem compartilhar o produto. “Além de lavagem de mãos frequentes e/ou uso de álcool gel, e manter uma distância segura entre as pessoas”, pontuou.

OUTROS PERIGOS – De acordo com o Ministério da Saúde, o narguilé contém nicotina e outros 4.700 ingredientes tóxicos. Após uma sessão de 45 minutos, aumenta a concentração de nicotina e monóxido de carbono no organismo. Com isso, os batimentos cardíacos aceleram-se e ainda ocorre uma exposição intensa a metais pesados, altamente tóxicos e de difícil eliminação, como o cádmio.

A fumaça do narguilé tem as mesmas substâncias tóxicas que a fumaça do cigarro e algumas até em maior concentração. Por isso, seu uso crônico pode desencadear as mesmas doenças causadas pelo consumo do cigarro.

Além disso, muitos usuários de narguilé misturam maconha ao tabaco e, em vez de água, colocam bebida destilada, como vodca. Dessa maneira, os efeitos podem ser ainda mais devastadores, porque a pessoa estará usando três drogas ao mesmo tempo: nicotina, maconha e álcool.

AUXÍLIO – A Secretaria de Saúde do DF conta com o Programa de Controle do Tabagismo, que segue orientação do Instituto Nacional do Câncer (Inca/MS). A ação promove e potencializa ações educativas, de comunicação, de atenção à saúde, com ações legislativas e econômicas para prevenir a iniciação ao tabagismo, promover sua cessação pelos fumantes e proteger a população dos riscos do tabagismo passivo.

O tratamento é realizado em grupo, com quatro encontros semanais, acompanhado por médico e equipe de saúde. O trabalho é baseado em ações cognitivo-comportamentais e medicamentosas, se necessário. O paciente interessado em parar de fumar deverá ligar e fazer sua inscrição nas unidades mais próximas da sua residência ou trabalho. Saiba mais aqui.

“Nesse momento crítico estão suspensas, mas assim que possível, essas atividades serão retomadas”, informou a RTD de Tabagismo.

Leandro Cipriano, da Agência Saúde

Fonte: Agência Saúde