Úlcera em pé diabético: HRT coordena estudo sobre novo medicamento

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Cinco pacientes já finalizaram o tratamento. Pesquisa necessita de voluntários para ser concluída

O Hospital Regional de Taguatinga (HRT) é o centro coordenador de uma pesquisa solicitada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a liberação de um novo medicamento destinado à cicatrização de úlceras em pé diabético. O protocolo de pesquisa clínica é conduzido pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e também é desenvolvido em outros nove centros de saúde pelo Brasil.

Desde março deste ano, os profissionais da Endocrinologia do HRT estão recrutando voluntários para participar do estudo e os primeiros pacientes já encerraram seu tempo de participação.

“Hoje, cinco pacientes já finalizaram o tratamento. É um duplo cego. A gente não sabe quem está usando e quem não está, mas é uma opção que não existia”, informa a endocrinologista Flaviene Prado. A médica explica que esta é uma pesquisa que envolve o fator de crescimento epitelial para tratamento do pé diabético. A medicação, desenvolvida em Cuba, já foi aprovada e registrada em 18 países da Europa e passa pela fase de estudos no Brasil.

Flaviene ressalta que o tratamento de feridas em pacientes diabéticos é de extrema importância para evitar complicações da doença, como as amputações. “As úlceras demoram muito tempo para fechar e, com isso, elas infectam. A infecção pode resultar numa osteomielite e, consequentemente, na amputação”, relata a médica.

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Atualmente, há dois tipos de tratamento para pessoas com esse tipo de ferimento, que são as coberturas ou curativos e o off load, que é retirar o pé descarga, ou seja, retirar toda a pressão exercida sobre o pé com o uso de muletas ou de cadeira de rodas.

“É muito importante que ele não pise. A maioria dos pacientes não sente dor, a sensibilidade se perdeu, que é uma consequência do diabetes, a neuropatia diabética”, esclarece. A endocrinologista explica como surgem essas feridas. “Qualquer coisa simples, às vezes, um arranhão ou um calo que não percebeu, mas infectou e virou uma úlcera. E depois pode se tornar uma osteomielite, ou levar a uma amputação. É uma cascata de eventos”, lamenta.

Medicamentos
A medicação que está sendo estudada tem o nome comercial Heberprot-P®. O estudo consiste na aplicação de injeções do medicamento na área da úlcera, três vezes por semana, ao longo de oito semanas, até o máximo de 24 aplicações.

Os pacientes/voluntários podem ser alocados ou no grupo placebo, ou no grupo de tratamento ativo de maneira aleatória. Os participantes da pesquisa permanecem com acompanhamento médico após esse período.

Voluntários
Para ser concluído, o estudo necessita alcançar o número de 304 participantes. A médica do HRT faz um apelo aos pacientes diabéticos para que procurem a secretaria da Endocrinologia, no Ambulatório do HRT, para participar desse importante estudo.

Os critérios para integrar a pesquisa são ter diabetes do tipo 1 ou do 2; ser maior de 18 anos; não estar grávida; e ter uma úlcera/ferida no pé.

Dados
O estudo Annual Direct Medical Costs of Diabetic Foot Disease in Brazil: A Cost of Illness Study indica que, nos países em desenvolvimento, 25% dos diabéticos desenvolverão pelo menos uma úlcera no pé durante a vida, ou seja, uma pessoa entre quatro terá problemas nos pés, desencadeados pela neuropatia e complicados pela Doença Arterial Periférica e por infecção, resultando em amputações.

No Brasil, estima-se que 40 mil pessoas por ano tenham complicações que levem à amputação dos membros inferiores. A maioria dos pacientes já chega com as úlceras em estado avançado nos prontos-socorros e sem saber que são diabéticos.

Instituições
Além do Hospital Regional de Taguatinga, o estudo também está sendo realizado na Universidade Federal de São Paulo (SP); Policlínica Piquet Carneiro e Hospital Federal dos Servidores do Estado (ambas do RJ); Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte (MG); Hospital Memorial Arthur Ramos (AL); Hospital Universitário Lauro Wanderley (PB); Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (PE); e Fundação Hospital Adriano Jorge Universidade do Estado do Amazonas (AM).

*Com informações da Secretaria de Saúde

Fonte: Agência Brasília